Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2025
Recém-nascido, sexo masculino, 6 dias de vida, dá entrada no ProntoSocorro por quadro de sonolência e hipoatividade há 1 dia. Trata-se de criança nascida a termo, idade gestacional de 37 semanas e 4 dias, com peso de 2.970 g, adequado para a idade gestacional. Parto vaginal sem intercorrências, Boletim de Apgar de 9 no primeiro minuto e 10 no quinto minuto, sem necessidade de manobras de reanimação. Recebeu alta hospitalar no terceiro dia de vida, com peso de 2.690 g. Em casa, mãe refere que manteve a criança em aleitamento materno exclusivo e nota que ele é bem calmo. Já consegue dormir a noite toda, sendo que na última noite já dormiu das 22:00 às 07:00. Durante o dia, as mamadas ocorrem a cada 3 a 4 horas, mama por 5 a 10 minutos e já dorme assim que termina de mamar. Nega vômitos ou regurgitação. Ao exame clínico atual, criança sonolenta e hipoativa, com fontanela deprimida, pulsos periféricos finos, tempo de enchimento capilar de 4 segundos. Peso de hoje de 2.450 g. Colhidos exames laboratoriais, com sódio: 150 mEq/L, potássio: 3,7 mEq/L, cloro: 115 mEq/L, glicose: 75 mg/dL, gasometria venosa: pH 7,42, bicarbonato 23 mEq/L, pCO2 43 mmHg, lactato 2,1 mmol/L. Qual é o distúrbio hidroeletrolítico encontrado e o manejo inicial?
RN com perda de peso >10%, sonolência, fontanela deprimida e Na >145 mEq/L → Desidratação hipernatrêmica grave. Iniciar SF 0,9%.
A desidratação hipernatrêmica grave em recém-nascidos é uma emergência, frequentemente associada a aleitamento materno insuficiente. A correção inicial da hipovolemia deve ser feita com solução salina isotônica (SF 0,9%) para estabilizar o paciente, antes de se preocupar com a correção gradual do sódio para evitar complicações neurológicas.
A desidratação hipernatrêmica é uma complicação grave e potencialmente fatal em recém-nascidos, especialmente na primeira semana de vida. É frequentemente associada a aleitamento materno insuficiente, resultando em balanço hídrico negativo e concentração do sódio sérico. A incidência pode variar, mas é uma causa importante de internação em neonatos, exigindo reconhecimento e manejo rápidos para evitar sequelas neurológicas graves. O quadro clínico se manifesta com sinais de desidratação e, em casos graves, choque hipovolêmico. O diagnóstico é clínico, com base nos sinais de desidratação (perda de peso excessiva, sonolência, fontanela deprimida, tempo de enchimento capilar prolongado) e laboratorial, com sódio sérico acima de 145 mEq/L. É crucial suspeitar dessa condição em recém-nascidos que perdem mais de 10% do peso de nascimento, estão letárgicos ou apresentam dificuldades na amamentação. A fisiopatologia envolve a perda de água livre em excesso em relação ao sódio, levando à hipertonicidade plasmática e desidratação celular. O tratamento inicial visa corrigir a hipovolemia e estabilizar o paciente, utilizando solução salina isotônica (SF 0,9%) em bolus. Após a estabilização hemodinâmica, a correção do sódio deve ser gradual (não excedendo 0,5 mEq/L/hora) para evitar edema cerebral, utilizando soluções hipotônicas. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e da adequação do manejo, sendo fundamental a orientação e suporte à amamentação para prevenir recorrências.
Os sinais incluem sonolência, hipoatividade, fontanela deprimida, pulsos finos, tempo de enchimento capilar prolongado (>3 segundos), e uma perda de peso significativa (>10% do peso de nascimento). Laboratorialmente, o sódio sérico estará elevado (>145 mEq/L).
A conduta inicial é a ressuscitação volêmica com solução salina isotônica (SF 0,9%) em bolus de 10-20 mL/kg para estabilizar o paciente e corrigir a hipovolemia. A correção gradual da hipernatremia deve ser iniciada apenas após a estabilização hemodinâmica.
A hipernatremia ocorre devido à ingestão inadequada de líquidos, resultando em balanço hídrico negativo e concentração do sódio sérico. Recém-nascidos alimentados exclusivamente ao seio podem não receber volume suficiente se a pega for inadequada ou a produção de leite for baixa, levando à desidratação e hipernatremia.
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