Desidratação Grave Pediátrica: Manejo do Choque Hipovolêmico

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 3 anos de idade, previamente hígido, é atendido na UPA com queixa de diarreia aquosa, de grande volume, com várias evacuações ao dia há 2 dias. Hoje a mãe notou a criança mais hipoativa e com a diurese diminuída. Na avaliação clínica foram observados olhos fundos, mucosas ressecadas, choro sem lágrima e pulsos muito fracos. Mãe informa que o peso na semana anterior era de 12 kg. Com base no caso exposto, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Deve ser iniciado plano C de reidratação, com 240 ml de solução fisiológica 0,9% via endovenosa em 30 minutos.
  2. B) Há sinais de desidratação, devendo ser iniciado tratamento com soro de reidratação oral por gavagem, 1200 ml em 4-6 horas.
  3. C) Após reestabelecimento da volemia do paciente, pode ser reiniciada a dieta via oral e seguir o plano A para prevenir nova desidratação.
  4. D) Deve ser iniciada a expansão volêmica com 360 ml de solução fisiológica a 0,9% em 30 minutos seguida de 840 ml ringer lactato em 2 horas e meia.
  5. E) A solução de manutenção deve ser instalada após o desaparecimento dos sinais de desidratação, com 1.100 ml de Soro glicosado a 10% e 22 ml de KCl a 10%.

Pérola Clínica

Desidratação grave/choque em criança (12kg): Plano C → SF 0,9% 240 mL EV em 30 min (20 mL/kg).

Resumo-Chave

O paciente apresenta sinais de desidratação grave e choque hipovolêmico (olhos fundos, mucosas secas, pulsos fracos, hipoatividade). A conduta inicial é o Plano C de reidratação, que consiste na administração rápida de solução fisiológica 0,9% (20 mL/kg) por via endovenosa para restaurar a volemia e reverter o choque.

Contexto Educacional

A desidratação é uma complicação comum e potencialmente fatal da diarreia aguda em crianças, sendo uma das principais causas de mortalidade infantil globalmente. A avaliação do grau de desidratação é crucial para o manejo adequado, e a identificação de sinais de desidratação grave ou choque hipovolêmico exige uma intervenção imediata e agressiva. O caso clínico apresentado descreve uma criança com múltiplos sinais de desidratação grave, como olhos fundos, mucosas ressecadas, choro sem lágrima, hipoatividade e, mais criticamente, pulsos muito fracos, indicando choque. O manejo da desidratação em crianças é guiado pelos Planos A, B e C, definidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O Plano C é indicado para desidratação grave ou choque hipovolêmico. Ele preconiza a reidratação rápida por via endovenosa com solução fisiológica a 0,9% (ou Ringer Lactato) na dose de 20 mL/kg, administrada em 30 minutos. Para uma criança de 12 kg, isso corresponde a 240 mL. Após essa primeira fase, o paciente deve ser reavaliado, e a dose pode ser repetida se os sinais de choque persistirem, ou pode-se progredir para a fase de manutenção ou reidratação oral se houver melhora. É fundamental que residentes e profissionais de saúde dominem o diagnóstico e o manejo da desidratação pediátrica. A rápida identificação dos sinais de gravidade e a instituição do Plano C são medidas que salvam vidas. A escolha da solução, o volume e a velocidade de infusão são pontos críticos para evitar complicações e garantir a recuperação do paciente. O conhecimento desses protocolos é frequentemente cobrado em provas de residência e é indispensável na prática clínica diária.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos de desidratação grave e choque hipovolêmico em crianças?

Sinais de desidratação grave e choque incluem olhos fundos, mucosas muito ressecadas, choro sem lágrima, hipoatividade ou letargia, pulsos fracos ou ausentes, enchimento capilar prolongado (>3 segundos) e oligúria ou anúria.

Qual a conduta inicial para uma criança com desidratação grave e sinais de choque?

A conduta inicial é o Plano C de reidratação, que consiste na administração rápida de solução fisiológica 0,9% por via endovenosa, na dose de 20 mL/kg, repetida em 30 minutos se os sinais de choque persistirem, até a estabilização do paciente.

Por que a reidratação oral não é a primeira escolha em desidratação grave com choque?

A reidratação oral não é a primeira escolha em desidratação grave com choque porque a absorção intestinal pode estar comprometida e a urgência em restaurar a volemia e perfusão tecidual exige a via endovenosa para uma reposição volêmica rápida e eficaz.

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