Desidratação Grave Pediátrica: Diagnóstico e Manejo

HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2020

Enunciado

Uma criança de 1 ano tem história de diarreia líquida há 3 dias, sem muco ou sangue, mais de 10 episódios por dia; sua mãe refere 6 episódios de vômitos e febre não aferida, mais não sabe informar sobre volume de diurese. Ao exame físico, apresenta-se sonolenta, com FC= 170 bpm, FR= 60 ipm, perfusão de 3 segundos, pulsos finos, sudorese fria, turgor pastoso, olhos encovados e boca seca. Trata-se de:

Alternativas

  1. A) Diarréia aguda com desidratação grave, sendo necessário reidratação oral
  2. B) Diarréia aguda com desidratação grave, sendo necessário reidratação endovenosa e oral
  3. C) Diarréia protraída e desidratação, sendo necessário reposição de líquido e dieta com leite de soja
  4. D) Diarréia aguda com desidratação grave/choque hipovolêmico, sendo necessário reidratação endovenosa e tratamento de suporte
  5. E) Diarréia aguda com desidratação grave, sendo necessário reidratação oral até estabelecer a diurese

Pérola Clínica

Criança com diarreia + sonolência, taquicardia, pulsos finos, TPC > 3s → Desidratação grave/choque.

Resumo-Chave

A presença de sonolência, taquicardia, pulsos finos, tempo de enchimento capilar prolongado (>3s) e sudorese fria em uma criança com diarreia indica desidratação grave com sinais de choque hipovolêmico, exigindo reidratação endovenosa imediata.

Contexto Educacional

A diarreia aguda é uma causa comum de morbimortalidade em crianças, e a desidratação é sua complicação mais grave. O reconhecimento precoce dos sinais de desidratação, especialmente a grave, é crucial para um manejo adequado e para prevenir a progressão para choque hipovolêmico. A avaliação clínica deve focar em sinais como nível de consciência, turgor da pele, aspecto dos olhos, umidade das mucosas, tempo de enchimento capilar, frequência cardíaca e qualidade dos pulsos. Neste caso, a criança apresenta sonolência, taquicardia (FC=170 bpm), taquipneia (FR=60 ipm), perfusão de 3 segundos, pulsos finos e sudorese fria, além de turgor pastoso, olhos encovados e boca seca. Esse conjunto de sinais é altamente sugestivo de desidratação grave com choque hipovolêmico compensado, uma emergência pediátrica que requer intervenção imediata. A conduta imediata para desidratação grave com choque é a reidratação endovenosa rápida com solução cristaloide isotônica (ex: soro fisiológico 0,9%), em bolus de 20 mL/kg, que pode ser repetido. A reidratação oral é contraindicada ou ineficaz nesta fase, pois a criança está sonolenta e com sinais de má perfusão. O tratamento de suporte inclui monitorização contínua e manejo de outras complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de desidratação grave em crianças?

Sinais de desidratação grave incluem letargia ou sonolência, olhos muito encovados, ausência de lágrimas, boca e língua muito secas, turgor da pele muito diminuído (sinal da prega), pulsos fracos ou ausentes, tempo de enchimento capilar prolongado e taquicardia.

Quando a reidratação endovenosa é indicada para desidratação pediátrica?

A reidratação endovenosa é indicada quando há sinais de choque hipovolêmico, desidratação grave, incapacidade de beber (vômitos persistentes, alteração do nível de consciência) ou falha da terapia de reidratação oral.

Qual a conduta inicial para uma criança com choque hipovolêmico por desidratação?

A conduta inicial é a rápida administração de bolus de solução cristaloide isotônica (ex: soro fisiológico 0,9%) por via endovenosa, geralmente 20 mL/kg em 15-20 minutos, repetindo se necessário, enquanto se monitoriza a resposta clínica.

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