Desidratação Grave Pediátrica: Manejo do Choque Hipovolêmico

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2021

Enunciado

Dona Rita leva seu filho de 3 anos de idade a UPA de Icoaraci com queixa de diarreia aquosa volumosa há 2 dias, 8 episódios por dia, sem febre. Relata que nas últimas 12 horas a criança não apresenta diurese e evolui com queda do estado geral. Na última consulta de puericultura (há 2 meses), pesou 10 kg. Ao exame físico, criança irritada, com olhos fundos, choro sem lágrimas, pulso periférico muito fraco, desaparecimento da prega em 3 segundos e tempo de enchimento capilar de 6 segundos. Peso no atendimento inicial de 8,5 Kg. Nesse contexto, assinale a alternativa que contém o tratamento adequado.

Alternativas

  1. A) Administrar 500 ml de soro fisiológico endovenoso acrescido de complexo B e glicose, monitorar o ganho ponderal, e dar alta com a orientação de aumentar a ingesta de líquidos.
  2. B) Administrar soro de reidratação oral, 50 ml/kg em 4 horas, suspender a alimentação durante a terapia de reidratação e manter em observação clínica por 6 horas antes da alta.
  3. C) Administrar soro de reidratação oral, 100 ml/kg, manter alimentação durante a reidratação e dar alta após 2 diureses claras e de bom volume. Orientar sinais de desidratação antes da alta.
  4. D) Administrar soro fisiológico 0,9% endovenoso, 20 ml/kg, quantas vezes sejam necessárias até que a criança esteja hidratada, seguida de fase de manutenção 100 ml/kg/dia e reposição de perdas.
  5. E) Administrar ringer lactato, 20 ml/kg/dia, avaliando continuamente os sinais de desidratação, até que desapareçam, seguida de soro de reidratação oral após cada evacuação.

Pérola Clínica

Desidratação grave/choque em criança → SF 0,9% 20 mL/kg IV em bolus, repetir até hidratação.

Resumo-Chave

A criança apresenta sinais de desidratação grave e choque hipovolêmico (perda de 15% do peso, TPC > 3s, pulso fraco, anúria, queda do estado geral). Nesses casos, a reidratação oral é contraindicada e a conduta imediata é a reposição volêmica rápida com soro fisiológico 0,9% endovenoso em bolus de 20 mL/kg, repetindo até a melhora clínica.

Contexto Educacional

A diarreia aguda é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças menores de 5 anos, especialmente em países em desenvolvimento. A principal complicação é a desidratação, que pode variar de leve a grave e, em casos extremos, evoluir para choque hipovolêmico. A identificação rápida do grau de desidratação é crucial para instituir o tratamento adequado e prevenir desfechos desfavoráveis. No caso apresentado, a criança exibe múltiplos sinais de desidratação grave e choque: perda ponderal de 15% (10kg para 8,5kg), anúria nas últimas 12 horas, queda do estado geral, irritabilidade, olhos fundos, choro sem lágrimas, pulso periférico muito fraco, desaparecimento da prega em 3 segundos e tempo de enchimento capilar de 6 segundos. Esses achados indicam a necessidade urgente de reposição volêmica endovenosa. O tratamento de escolha para desidratação grave com sinais de choque é a administração rápida de soro fisiológico 0,9% (ou Ringer Lactato) em bolus de 20 mL/kg, repetida quantas vezes forem necessárias até a estabilização hemodinâmica e melhora dos sinais de hidratação. Após a fase de expansão, segue-se a fase de manutenção e reposição de perdas contínuas, ajustando o volume e a composição dos fluidos conforme a necessidade da criança.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de desidratação grave em crianças?

Sinais de desidratação grave incluem letargia ou inconsciência, olhos muito fundos, ausência de lágrimas, boca e língua muito secas, elasticidade da pele muito diminuída (prega cutânea > 2 segundos), pulsos fracos ou ausentes, e tempo de enchimento capilar prolongado (> 3 segundos).

Por que a reidratação endovenosa é preferível à oral na desidratação grave?

Na desidratação grave, a criança pode estar letárgica, vomitando ou com má perfusão intestinal, o que impede a absorção adequada do soro oral. A via endovenosa permite uma reposição volêmica rápida e eficaz para corrigir o choque.

Qual o volume e tipo de fluido inicial para reidratação endovenosa em choque hipovolêmico pediátrico?

O fluido de escolha é o soro fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato, administrado em bolus de 20 mL/kg em 15-20 minutos, podendo ser repetido até a melhora dos sinais de choque e hidratação.

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