Desidratação Grave Pediátrica: Conduta Inicial na Emergência

UNIRG - Universidade de Gurupi (TO) — Prova 2022

Enunciado

Júlia, 10 anos, dá entrada no pronto-socorro, em REG, corada, desidratada, hipoativa, pouco reativa, desorientada, afebril, sem sinais meníngeos; BRNF 2 tempos sem sopros, FC = 145 bpm; MV presente bilateral sem ruídos adventícios, tiragem de fúrcula e batimento de asa de nariz, sat O₂: 97% em cateter de oxigênio 1L/min; abdome plano, flácido, indolor à palpação, sem visceromegalias, RHA presentes, DB negativo; extremidades: boa perfusão periférica, sem edema.Nesse cenário, a conduta mais adequada é

Alternativas

  1. A) coletar liquor, hemograma, PCR e hemocultura.
  2. B) glicemia capilar, gasometria arterial e expansão volêmica.
  3. C) inalação com beta 2 agonista, raio-X de tórax e gasometria arterial.
  4. D) antibioticoterapia de amplo espectro e raio-X de tórax.

Pérola Clínica

Criança desidratada, hipoativa, taquicárdica, com sinais de desconforto respiratório → Avaliar glicemia, gasometria e iniciar expansão volêmica.

Resumo-Chave

A paciente apresenta sinais de desidratação grave (hipoativa, desorientada) e possível choque (taquicardia, desidratação), além de desconforto respiratório. A prioridade é avaliar o estado metabólico (glicemia, gasometria) e iniciar a reposição volêmica para estabilizar o quadro.

Contexto Educacional

A desidratação grave em crianças é uma emergência pediátrica comum, frequentemente associada a gastroenterites, mas também a outras condições. A rápida identificação e manejo são cruciais para prevenir complicações graves como choque hipovolêmico, insuficiência renal aguda e distúrbios eletrolíticos. A avaliação inicial deve focar na estabilidade hemodinâmica e respiratória. Fisiopatologicamente, a perda excessiva de fluidos e eletrólitos leva à redução do volume intravascular, comprometendo a perfusão de órgãos vitais. Os sinais clínicos incluem taquicardia, tempo de enchimento capilar prolongado, hipotensão (sinal tardio), alteração do nível de consciência e sinais de desconforto respiratório compensatório à acidose metabólica. O diagnóstico é clínico, mas exames complementares como glicemia e gasometria são essenciais para guiar a conduta. O tratamento imediato envolve a estabilização do paciente. A expansão volêmica com cristaloides isotônicos (soro fisiológico 0,9%) em bolus de 10-20 mL/kg é a primeira medida para reverter o choque. A correção de distúrbios metabólicos, como hipoglicemia e acidose, é igualmente importante. Monitorização contínua dos sinais vitais e reavaliação frequente são fundamentais para o sucesso do manejo.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de desidratação grave em crianças?

Sinais de desidratação grave incluem letargia, hipoatividade, desorientação, taquicardia, taquipneia, olhos encovados, turgor cutâneo diminuído, mucosas secas e enchimento capilar prolongado.

Por que a glicemia capilar e a gasometria arterial são importantes na avaliação inicial?

A glicemia capilar é crucial para descartar hipoglicemia, uma causa reversível de alteração do nível de consciência. A gasometria arterial avalia o equilíbrio ácido-base e a oxigenação, sendo fundamental para identificar acidose metabólica comum na desidratação grave e choque.

Qual a importância da expansão volêmica imediata nesse cenário?

A expansão volêmica é vital para restaurar a perfusão tecidual e corrigir o choque hipovolêmico causado pela desidratação. Em crianças, geralmente se inicia com bolus de soro fisiológico 0,9% de 10-20 mL/kg.

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