Desidratação Grave Pediátrica: Manejo e Plano C

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024

Enunciado

Menino de 1 ano e 6 meses de idade, previamente saudável, é trazido ao Pronto-Socorro Infantil por sua mãe com queixa de vômitos e diarreia há 2 dias. A mãe relata diarreia líquida, sem presença de muco ou sangue, acompanhada de febre no primeiro dia do quadro e cerca de 4 a 5 episódios de vômitos ao dia. Refere que hoje a criança não tem aceitado dieta nem líquidos e que apresentou pouca diurese. Refere peso anterior de 10 Kg. Ao exame físico, a criança está em regular estado geral, sonolenta, pálida, com mucosas muito secas, olhos fundos e secos, e chorando sem lágrimas. Apresenta frequência cardíaca de 160 e peso atual de 8,7 Kg. Com base no protocolo de manejo de desidratação e diarreia do Ministério da Saúde atualizado em 2023, assinale a alternativa que corresponde à classificação da desidratação e à conduta indicada para esse paciente.

Alternativas

  1. A) Desidratação leve. Plano A – aumentar ingesta hídrica, manter alimentação habitual e orientar sinais de alarme.
  2. B) Desidratação moderada. Plano B – iniciar terapia de reidratação oral 50 a 100 mL/Kg em 4 a 6 horas no serviço de saúde.
  3. C) Desidratação moderada. Plano C – expansão inicial de 30 mL/Kg de soro fisiológico em 60 minutos, seguida de expansão de 70 mL/Kg em 5 horas.
  4. D) Desidratação grave. Plano C – expansão inicial de 30 mL/Kg de soro fisiológico em 30 minutos, seguida de expansão de 70 mL/Kg em 2 horas e 30 minutos.
  5. E) Desidratação grave. Plano C – expansão inicial de 70 mL/Kg de soro fisiológico em 30 minutos, seguida de manutenção com glicose e eletrólitos.

Pérola Clínica

Desidratação grave em criança → Plano C: SF 0,9% 30 mL/Kg em 30 min, depois 70 mL/Kg em 2h30min.

Resumo-Chave

A criança apresenta múltiplos sinais de desidratação grave (sonolenta, pálida, mucosas muito secas, olhos fundos, choro sem lágrimas, taquicardia, perda de peso >10%). Conforme o protocolo do Ministério da Saúde, a conduta é o Plano C, que consiste em reidratação venosa rápida com soro fisiológico.

Contexto Educacional

A desidratação em crianças, frequentemente causada por diarreia aguda, é uma das principais causas de morbimortalidade infantil globalmente. A avaliação precisa do grau de desidratação é fundamental para um manejo adequado e para prevenir complicações graves como o choque hipovolêmico. O protocolo do Ministério da Saúde classifica a desidratação em leve, moderada e grave, com planos de tratamento específicos para cada uma. A desidratação grave é caracterizada por sinais como letargia/sonolência, olhos fundos, mucosas muito secas, ausência de lágrimas, taquicardia e perda de peso significativa (>10%). Nesses casos, a reidratação oral é insuficiente e a via intravenosa é imperativa. O Plano C é o esquema terapêutico para desidratação grave, visando restaurar rapidamente o volume intravascular. O manejo da desidratação grave pelo Plano C envolve a administração rápida de soro fisiológico 0,9% em duas fases: uma fase inicial de 30 mL/Kg em 30 minutos, seguida por 70 mL/Kg em 2 horas e 30 minutos. Durante e após a reidratação, é essencial monitorar de perto os sinais vitais, o estado de consciência, a diurese e os eletrólitos para ajustar o tratamento conforme a resposta clínica e prevenir sobrecarga hídrica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de desidratação grave em crianças?

Os sinais de desidratação grave incluem letargia ou inconsciência, olhos muito fundos e secos, choro sem lágrimas, mucosas muito secas, perda de turgor cutâneo (sinal da prega), taquicardia e enchimento capilar lentificado.

Como é o Plano C de reidratação para desidratação grave?

O Plano C consiste na administração de soro fisiológico 0,9% por via intravenosa: 30 mL/Kg na primeira meia hora, seguido de 70 mL/Kg nas próximas 2 horas e 30 minutos, totalizando 100 mL/Kg em 3 horas.

Qual a importância da rápida intervenção na desidratação grave?

A rápida intervenção é crucial para prevenir o choque hipovolêmico e suas complicações, como insuficiência renal aguda e acidose metabólica, que podem levar a óbito se não tratadas prontamente.

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