Desidratação Grave em Pediatria: Diagnóstico e Plano C

FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2026

Enunciado

Uma criança de 1 ano e 8 meses, pesando 10kg, previamente hígida, é levada ao pronto atendimento por diarreia aquosa há 3 dias. Nos últimos dois dias apresentou 8 evacuações diárias e 6 episódios de vômitos. A mãe refere febre baixa, recusa alimentar, ausência de diurese há 10 horas e sonolência. Ao exame físico, encontra-se letárgica, respondendo apenas a estímulos dolorosos, com mucosas muito secas, lábios ressecados, olhos encovados, ausência de lágrimas ao choro, fontanela anterior discretamente deprimida, prega retorna em mais de 2 segundos, pulsos periféricos fracos, tempo de enchimento capilar >3 segundos e extremidades frias. Frequência cardíaca: 172 bpm. Pressão arterial: 70x40 mmHg. Abdome: flácido, sem visceromegalias. De acordo com as orientações do Ministério da Saúde, qual o diagnóstico do grau de desidratação e qual o plano de reidratação mais adequado?

Alternativas

  1. A) Desidratação grave - Plano C - hidratação venosa imediata com solução cristaloide.
  2. B) Desidratação leve/moderada - Plano B (hidratação oral supervisionada com SRO no serviço de saúde).
  3. C) Sem desidratação - Plano A (hidratação domiciliar com SRO após cada evacuação).
  4. D) Desidratação leve - apenas líquidos caseiros e manutenção da dieta habitual.
  5. E) Desidratação moderada - reidratação oral lenta associada a antibioticoterapia.

Pérola Clínica

Letargia + TEC >3s + pulsos fracos = Desidratação Grave → Plano C imediato.

Resumo-Chave

A presença de sinais de choque ou alteração do sensório em crianças com diarreia classifica o quadro como desidratação grave, exigindo expansão volêmica imediata (Plano C).

Contexto Educacional

A desidratação por diarreia aguda continua sendo uma causa importante de morbimortalidade infantil. O Ministério da Saúde padroniza o manejo em Planos A, B e C para facilitar a decisão clínica. O reconhecimento precoce do choque hipovolêmico é vital, pois a hipotensão é um sinal tardio em pediatria, precedida por taquicardia e má perfusão periférica. O tratamento foca na restauração rápida do volume intravascular para prevenir a progressão para choque irreversível.

Perguntas Frequentes

Quais os sinais de alerta para desidratação grave?

Os sinais de alerta incluem letargia ou inconsciência, olhos muito encovados, incapacidade de beber líquidos, sinal da prega que desaparece muito lentamente (>2 segundos) e sinais de choque, como pulsos débeis, extremidades frias e tempo de enchimento capilar superior a 3 segundos. Na presença de dois ou mais desses sinais, o diagnóstico de desidratação grave é estabelecido, exigindo intervenção imediata para evitar falência de múltiplos órgãos.

Como funciona o Plano C de reidratação?

O Plano C é indicado para desidratação grave. Consiste na fase de expansão rápida com cristaloides (Soro Fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato). Segundo o Ministério da Saúde, para crianças menores de 5 anos, a expansão deve ser feita com 20 ml/kg em 20-30 minutos, podendo ser repetida até a estabilização hemodinâmica. É fundamental monitorar a resposta clínica, frequência cardíaca e débito urinário durante todo o processo.

Quando transitar do Plano C para o Plano B?

A transição ocorre quando o paciente apresenta melhora do estado de consciência, estabilidade hemodinâmica (pulsos cheios, TEC < 2s) e capacidade de ingestão oral. Nesse momento, inicia-se a oferta de Soro de Reidratação Oral (SRO) enquanto a hidratação venosa é gradualmente reduzida e suspensa, garantindo que a criança consiga manter a hidratação por via enteral antes da alta hospitalar.

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