FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2023
João, 7 anos, foi levado à consulta na Unidade Básica de Saúde por quadro de diarreia, sem muco ou sangue nas fezes, iniciado há 03 dias. Ao exame, encontrava-se sonolento, sem lágrimas, com dificuldade para deglutir e sinal da prega desaparecendo muito lentamente. A conduta terapêutica a ser adotada é:
Criança com diarreia + sonolência + prega lenta + dificuldade deglutir → Desidratação grave = Hidratação parenteral.
O quadro de João, com sonolência, ausência de lágrimas, dificuldade para deglutir e sinal da prega cutânea muito lento, indica desidratação grave. Nesses casos, a hidratação oral é contraindicada ou ineficaz, sendo necessária a hidratação parenteral imediata, além de exames laboratoriais para guiar o manejo.
A diarreia aguda é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças menores de 5 anos globalmente. A desidratação é a complicação mais grave e a principal causa de óbito. O reconhecimento precoce e a classificação correta do grau de desidratação são fundamentais para um manejo eficaz. O diagnóstico da desidratação é clínico, baseado na avaliação de sinais como estado geral, olhos, lágrimas, boca, sede, elasticidade da pele (sinal da prega) e enchimento capilar. O caso de João apresenta múltiplos sinais de desidratação grave (sonolência, sem lágrimas, dificuldade para deglutir, prega muito lenta), que correspondem ao Plano C de hidratação, conforme as diretrizes da OMS e do Ministério da Saúde. A conduta terapêutica para desidratação grave é a hidratação parenteral imediata, geralmente com solução salina isotônica (soro fisiológico 0,9%) em bolus, seguida de manutenção. A coleta de gasometria venosa e ionograma é crucial para identificar e corrigir distúrbios hidroeletrolíticos e ácido-base, que são comuns e podem ser fatais. Sintomáticos podem ser usados conforme a necessidade, mas a prioridade é a reidratação.
Sinais incluem letargia ou sonolência, olhos encovados, ausência de lágrimas, boca e língua muito secas, sinal da prega cutânea muito lento (>2 segundos), pulsos fracos e enchimento capilar prolongado.
A hidratação parenteral é indicada em casos de desidratação grave, choque hipovolêmico, vômitos persistentes que impedem a hidratação oral, ou falha da terapia de reidratação oral.
Gasometria venosa e ionograma são essenciais para avaliar o equilíbrio ácido-base e os eletrólitos, guiando a reposição e prevenindo complicações como arritmias.
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