FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2021
Lactente de sete meses é levado ao pronto socorro com quadro de febre, vômitos e diarréia aquosa sem sangue ou muco há 36 horas. Exame físico: letárgico, hipoativo, olhos fundos, pulso débil e enchimento capilar > 4 segundos. Peso na admissão: 7 kg. Após expansão rápida com melhora clínica e boa diurese, foi iniciado etapa de manutenção EV com:
Após expansão rápida em desidratação grave, a manutenção EV em lactentes usa SG 5% com NaCl e KCl para repor perdas e necessidades basais.
A fase de manutenção da reidratação venosa em lactentes com desidratação grave visa repor as perdas contínuas e as necessidades basais de água e eletrólitos. A solução padrão é Soro Glicosado 5% com adição de NaCl e KCl, calculados com base no peso e nas necessidades diárias.
A desidratação grave em lactentes, frequentemente causada por diarreia aguda e vômitos, é uma emergência pediátrica que requer manejo rápido e eficaz. O reconhecimento dos sinais de choque hipovolêmico, como letargia, pulsos débeis e tempo de enchimento capilar prolongado, é crucial para iniciar a reidratação venosa. A terapia é dividida em fase de expansão e fase de manutenção, cada uma com objetivos e composições de fluidos específicos. A fase de expansão visa restaurar rapidamente o volume intravascular e reverter o choque, utilizando soluções isotônicas como Soro Fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato. Após a estabilização hemodinâmica e a melhora clínica, inicia-se a fase de manutenção. Esta fase tem como objetivo repor as perdas contínuas de água e eletrólitos e suprir as necessidades basais do paciente, evitando tanto a sobrecarga hídrica quanto a desidratação persistente ou distúrbios eletrolíticos. Para a manutenção, a solução tipicamente utilizada é o Soro Glicosado a 5% (para fornecer calorias e evitar cetose) com a adição de cloreto de sódio (NaCl) e cloreto de potássio (KCl). As quantidades de eletrólitos são calculadas com base nas necessidades diárias do lactente (geralmente 3-4 mEq/kg/dia de Na+ e 2-3 mEq/kg/dia de K+), e o volume total de fluidos é determinado pela regra de Holliday-Segar (100 mL/kg para os primeiros 10 kg). A administração deve ser contínua e monitorada para garantir a hidratação adequada e a correção dos eletrólitos, sendo um pilar fundamental no tratamento da desidratação pediátrica.
Sinais de desidratação grave em lactentes incluem letargia, hipoatividade, olhos fundos, boca e língua muito secas, ausência de lágrimas, diminuição da elasticidade da pele (sinal da prega), pulso débil, enchimento capilar prolongado (>3 segundos), e ausência ou diminuição acentuada da diurese.
A fase de expansão rápida é realizada com solução isotônica, como Soro Fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato, na dose de 20 mL/kg, administrados rapidamente (em 15-20 minutos). Essa dose pode ser repetida até que haja melhora clínica dos sinais de choque e desidratação.
Para um lactente de 7 kg, as necessidades diárias de fluidos são calculadas pela fórmula de Holliday-Segar: 100 mL/kg para os primeiros 10 kg. Assim, 7 kg x 100 mL/kg = 700 mL/dia. Para eletrólitos, geralmente usa-se 3-4 mEq/kg/dia de Na+ e 2-3 mEq/kg/dia de K+. A solução padrão é Soro Glicosado 5% com adição de NaCl e KCl para atingir essas concentrações, administrada em 24 horas.
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