Desidratação Grave em Lactentes: Correção Eletrolítica

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2015

Enunciado

Lactente eutrófico, alimentado somente com leite materno, iniciou quadro de diarreia líquida, há 03 dias, acompanhada de febre e vômitos. Evoluindo com taquipneia, diminuição da diurese (oligúria), sonolência. Com sinais de desidratação grave. Após etapa de expansão (3x), apresentou diurese em pequena quantidade. Colhido os exames observou-se: Na = 115, K = 1,5, Ca = 0,9, Mg+ = 2, Fósforo = 4 mg/dl. Com relação aos distúrbios hidroeletrolítico devemos corrigir: 

Alternativas

  1. A) O quadro de Hipofosfatemia e Hipomagnesemia e ambos devem ser corrigidos, pois são considerados graves e com risco de vida.
  2. B) Não há distúrbios eletrolíticos para corrigir.
  3. C) O quadro de Hiponatremia e Hipopotassemia e ambos devem ser corrigidos, pois são considerados graves e com risco de vida.
  4. D) Não há necessidade de correção da Hiponatremia.

Pérola Clínica

Desidratação grave + Na < 120 e K < 2 → corrigir hiponatremia e hipopotassemia imediatamente.

Resumo-Chave

Em lactentes com desidratação grave e diarreia, a hiponatremia e a hipopotassemia são distúrbios eletrolíticos comuns e potencialmente fatais que requerem correção imediata para prevenir complicações neurológicas e cardíacas.

Contexto Educacional

A desidratação grave em lactentes, frequentemente causada por diarreia aguda e vômitos, é uma emergência pediátrica que exige reconhecimento e manejo rápidos. A perda de fluidos e eletrólitos pode levar a um estado de choque hipovolêmico, acidose metabólica e distúrbios eletrolíticos graves, como hiponatremia e hipopotassemia, que são potencialmente fatais se não corrigidos adequadamente. No caso apresentado, a hiponatremia (Na = 115 mEq/L) e a hipopotassemia (K = 1,5 mEq/L) são os distúrbios mais críticos. A hiponatremia grave pode causar edema cerebral, convulsões e coma, enquanto a hipopotassemia severa pode levar a arritmias cardíacas, fraqueza muscular e íleo paralítico. A correção desses eletrólitos deve ser feita com cautela, mas de forma prioritária, após a estabilização hemodinâmica inicial com expansão volêmica. A correção da hiponatremia deve ser gradual para evitar a síndrome de desmielinização osmótica, utilizando soro fisiológico hipertônico em casos sintomáticos. A reposição de potássio deve ser realizada com cloreto de potássio, monitorando-se o ritmo cardíaco e os níveis séricos. É fundamental que o manejo da desidratação e dos distúrbios eletrolíticos seja individualizado, considerando o tipo de desidratação (isotônica, hipotônica ou hipertônica) e a gravidade dos sintomas, para garantir a recuperação completa do lactente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de desidratação grave em lactentes?

Sinais incluem sonolência, letargia, olhos encovados, boca seca, diminuição da elasticidade da pele, taquipneia, pulsos fracos, enchimento capilar prolongado e oligúria ou anúria.

Como a hiponatremia grave deve ser corrigida em um lactente?

A hiponatremia grave sintomática (Na < 120 mEq/L) deve ser corrigida lentamente com soro fisiológico hipertônico (3%) para evitar a síndrome de desmielinização osmótica, visando um aumento inicial de 4-6 mEq/L em 24 horas.

Por que a hipopotassemia é perigosa em lactentes desidratados?

A hipopotassemia é perigosa porque pode levar a arritmias cardíacas graves, fraqueza muscular, íleo paralítico e agravar a alcalose metabólica. Sua correção é vital para a estabilidade cardiovascular.

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