Desidratação Grave em Crianças: Manejo e Plano C

UFPI/HU-UFPI - Hospital Universitário do Piauí - Teresina (PI) — Prova 2020

Enunciado

Criança de 3 anos, 15kg, é trazida ao pronto socorro por queixa de , há 2 dias, diarreia líquida cerca de 5-6x / dia e 4 vômitos. À admissão, a criança encontra-se em regular estado geral, pulsos finos e rápidos (FC 126 bpm), TEC 3 segundos, olhos bem fundos e sem lágrimas, boca bem seca. A mãe refere que última diurese foi há 10 horas:

Alternativas

  1. A) Essa criança encontra-se desidratada grave. Deve-se, então, iniciar o plano C de hidratação para essa criança com expansão com soro ao meio 1glicosado 5%: 1 fisiológico 0,9% endovenoso 20ml/kg e repetir se necessário.
  2. B) Esta criança encontra-se com desidratação moderada. Neste caso, deve-se prescrever terapia de hidratação oral para casa +/- 50-100ml/kg 6 horas e depois 100ml após cada vômito ou diarreia. Além disso, orientar oferta aumentada de líquidos e alimentação leve apenas com sucos e sopas. Deve-se orientar sinais de alerta para retorno ao pronto-socorro.
  3. C) A criança encontra-se desidratada grave. Deve-se fazer expansão com soro fisiológico 20 ml/kg a cada 30 minutos e repetir até que os sinais de desidratação sejam revertidos ou surjam sinais de hipervolemia. Depois prescrever um soro de reposição para 24horas. Liberar dieta assim que tiver condições de se alimentar.
  4. D) Essa criança encontra-se com sinais de desidratação de algum grau ou moderada. Deve-se iniciar o plano B do ministério da saúde que consiste em oferecer soro de rehidratação oral na dose de 50- 100ml/kg em 4-6 horas, aos goles. Se houver sinais de sinais de piora clínica, como rebaixamento do nível de consciência, deve-se converter para hidratação endovenosa.
  5. E) Quanto à osmolaridade, a desidratação pode ser classificada em isotônica, hipotônica e hipertônica. Na desidratação hipertônica, observam-se sintomas de hipotensão mais precoces, já na hipotônica é mais frequente haver sintomas de sede e mucosas secas, com hipotensão mais tardia.

Pérola Clínica

Desidratação grave em criança → Plano C: SF 0,9% 20ml/kg EV em 30 min, repetir até melhora ou hipervolemia.

Resumo-Chave

A desidratação grave em crianças é uma emergência médica que pode evoluir rapidamente para choque hipovolêmico. O plano C da OMS preconiza a rápida reposição volêmica com soro fisiológico 0,9% para restaurar a perfusão e reverter os sinais de choque, sendo crucial monitorar a resposta e sinais de hipervolemia.

Contexto Educacional

A desidratação é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças, especialmente em países em desenvolvimento. A desidratação grave, frequentemente decorrente de diarreia e vômitos, é uma emergência pediátrica que exige reconhecimento e tratamento imediatos para prevenir o choque hipovolêmico e suas consequências fatais. É crucial que o residente saiba identificar os sinais clínicos de gravidade para instituir a terapia adequada. A fisiopatologia da desidratação envolve a perda de água e eletrólitos, levando à redução do volume intravascular e comprometimento da perfusão tecidual. Os sinais clínicos como pulsos finos e rápidos, tempo de enchimento capilar prolongado, olhos fundos e ausência de lágrimas são indicativos de hipovolemia significativa. O diagnóstico é clínico, e a classificação da gravidade orienta o plano de tratamento. O tratamento da desidratação grave segue o Plano C da Organização Mundial da Saúde (OMS), que prioriza a rápida expansão volêmica com soro fisiológico 0,9% endovenoso. Após a estabilização, a reposição das perdas contínuas e a manutenção da hidratação devem ser planejadas. A dieta deve ser reintroduzida assim que o paciente tolerar, e a prevenção de novos episódios é fundamental.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de desidratação grave em crianças?

Sinais de desidratação grave incluem letargia, olhos muito fundos, ausência de lágrimas, boca muito seca, tempo de enchimento capilar prolongado (>3s), pulsos finos e rápidos, e oligúria ou anúria.

Qual a conduta inicial para desidratação grave em crianças?

A conduta inicial é o Plano C de hidratação, que consiste na administração rápida de soro fisiológico 0,9% endovenoso, na dose de 20 mL/kg, repetindo até a melhora dos sinais de desidratação ou surgimento de hipervolemia.

Por que não usar soro glicosado na fase inicial da desidratação grave?

O soro glicosado não é recomendado para a fase inicial de expansão volêmica na desidratação grave, pois o objetivo é repor volume intravascular rapidamente, e a glicose pode levar a diurese osmótica ou agravar distúrbios eletrolíticos.

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