Desidratação Grave Pediátrica: Manejo e Expansão Volêmica

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022

Enunciado

Uma criança do sexo masculino com 10 meses de idade, previamente hígida, comparece à unidade de pronto atendimento com quadro de diarreia e vômitos há 2 dias, e oligúria há 1 dia, segundo relato da mãe. Ao exame físico, apresenta frequência respiratória = 55 incursões respiratórias por minuto, saturometria de 98%; auscultas cardíaca e respiratória sem alterações; frequência cardíaca = 140 batimentos por minuto; pressão arterial adequada; ausência de edema. Os exames laboratoriais mostram: sódio = 128 mEq/L, K = 4,8mEq/L, bicarbonato = 13 mEq/L, ureia = 62 mg/dL, creatinina = l,4mg/dL, fração de excreção de sódio < 1%.Diante desse quadro, a conduta imediata mais adequada em relação ao paciente, após medidas de suporte e acesso venoso, é solicitar

Alternativas

  1. A) expansão volêmica endovenosa com cloreto de sódio (NaCI) a 0,9%.
  2. B) aplicação endovenosa de bicarbonato de sódio a 8,4%.
  3. C)  realização de tratamento de substituição renal.
  4. D) aplicação endovenosa de furosemida.

Pérola Clínica

Lactente com desidratação grave (oligúria, LRA pré-renal, taquicardia) → Expansão volêmica imediata com SF 0,9%.

Resumo-Chave

A criança apresenta sinais de desidratação grave e lesão renal aguda pré-renal (oligúria, ureia/creatinina elevadas, FENa < 1%). A hiponatremia e a acidose metabólica são complicações comuns. A conduta imediata e mais adequada é a expansão volêmica rápida com solução salina isotônica (NaCl 0,9%) para restaurar a perfusão renal e corrigir a hipovolemia.

Contexto Educacional

A desidratação em crianças, especialmente lactentes, é uma condição comum e potencialmente grave, frequentemente causada por gastroenterites agudas com diarreia e vômitos. A rápida perda de fluidos e eletrólitos pode levar à hipovolemia, desequilíbrios eletrolíticos e acidobásicos, e lesão renal aguda (LRA) pré-renal. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são cruciais para prevenir complicações e mortalidade. O quadro clínico apresentado, com oligúria, taquicardia, taquipneia, elevação de ureia e creatinina, e fração de excreção de sódio (FENa) < 1%, é altamente sugestivo de desidratação grave com LRA pré-renal. A hiponatremia (sódio = 128 mEq/L) é comum na desidratação isonatrêmica ou hiponatrêmica, muitas vezes sendo dilucional devido à retenção de água em resposta à hipovolemia. A acidose metabólica (bicarbonato = 13 mEq/L) reflete a má perfusão tecidual e o acúmulo de ácidos. A conduta imediata e prioritária, após assegurar as vias aéreas e o acesso venoso, é a expansão volêmica rápida com solução salina isotônica (cloreto de sódio 0,9%). Bolus de 10-20 mL/kg devem ser administrados rapidamente e repetidos conforme a resposta clínica, até a melhora dos sinais de perfusão e débito urinário. A correção da hipovolemia é fundamental para restaurar a perfusão renal, melhorar a função renal e corrigir os desequilíbrios eletrolíticos e acidobásicos secundários.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de desidratação grave em um lactente?

Sinais de desidratação grave incluem oligúria, taquicardia, taquipneia, letargia, olhos encovados, fontanela deprimida, tempo de enchimento capilar prolongado e, em casos mais avançados, hipotensão.

Por que a fração de excreção de sódio (FENa) é importante na LRA pediátrica?

Uma FENa < 1% em um contexto de oligúria e LRA sugere uma causa pré-renal (hipovolemia), indicando que os rins estão tentando reter sódio e água para compensar a baixa perfusão.

Qual a conduta inicial para um lactente com desidratação grave e hiponatremia?

A conduta inicial é a expansão volêmica rápida com cloreto de sódio 0,9% (solução isotônica) em bolus. A hiponatremia na desidratação grave é frequentemente dilucional e se corrige com a restauração do volume intravascular.

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