INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2017
Um lactente com 8 meses de vida é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde (UBS), que relata que a criança, anteriormente hígida, vem apresentando, há 8 dias, evacuações líquidas, sem muco e sem sangue, com hiperemia perianal e fezes explosivas, chegando a apresentar cerca de dez episódios em 24 horas. O lactente não está aceitando bem a alimentação, nem o soro caseiro, apresentando vômitos. O médico da UBS encaminha o paciente a um Pronto-Socorro público para avaliação, dada a não aceitação do soro de reidratação oral oferecido, com total de seis episódios de vômitos em uma hora, mesmo com fracionamento do soro. Ao exame, constatam-se os seguintes achados: temperatura axilar igual a 36 ºC, letargia, olhos muito encovados, fontanela deprimida, prega cutânea que se desfaz em mais de 2 segundos e mucosas secas. Em face do presente caso clínico, o diagnóstico e a conduta adequados são:
Letargia + Olhos encovados + Prega > 2s = Desidratação Grave → Plano C (Hidratação Venosa Imediata).
A desidratação grave em lactentes é uma emergência médica que requer expansão volêmica imediata com cristaloides (Plano C) para prevenir choque.
O manejo da diarreia aguda na infância é guiado pelo estado de hidratação. O Plano A foca na prevenção em domicílio; o Plano B utiliza reidratação oral na unidade de saúde; e o Plano C é reservado para casos graves com risco de choque. A letargia apresentada pelo paciente é um sinal de hipoperfusão cerebral, classificando-o imediatamente para intervenção venosa. A solução de escolha para expansão é o Soro Fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato. Soluções glicofisiológicas 1:2 não são recomendadas para a fase de expansão rápida devido à tonicidade inadequada para restaurar o volume intravascular rapidamente. O monitoramento contínuo dos sinais vitais e do débito urinário é essencial durante a terapia.
Os sinais principais incluem alteração do estado de consciência (letargia ou coma), incapacidade de beber líquidos, pulsos débeis ou ausentes, tempo de enchimento capilar muito prolongado (> 3 segundos), olhos muito encovados, mucosas secas e o sinal da prega que desaparece muito lentamente (> 2 segundos).
O Plano C é indicado para desidratação grave. Consiste em uma fase de expansão rápida com cristaloide (Soro Fisiológico 0,9%). Para crianças menores de 5 anos, o Ministério da Saúde recomenda 20 mL/kg em 30 minutos, podendo ser repetido até a estabilização clínica. Em menores de 1 ano, a reposição total é de 100 mL/kg divididos em 1h (30 mL/kg) e 5h (70 mL/kg).
A gastróclise (Plano B modificado) é indicada quando a criança não consegue ingerir o soro de reidratação oral (SRO) por boca, mas não apresenta sinais de gravidade (choque ou letargia). Exemplos incluem vômitos persistentes (> 4 em 1h), recusa em beber ou perda de peso contínua durante a reidratação oral.
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