Desidratação Grave Pediátrica: Conduta Inicial e Eletrólitos

SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2015

Enunciado

Lactente de 7,5 kg, desidratado, apresenta ex. laboratoriais que revelam: Gasometria: pH 7.29; pCO2 20 mmHg; bicarbonato 10 mEq/L; pO2 67 mmHg; SatO2 91%; Sódio: 128 mEq/L; Potássio: 5.8 mEq/L; Glicose: 180 mg/dl. Conduta inicial:

Alternativas

  1. A) Aplicar 10 mEq bicarbonato e oxigenar imediatamente.
  2. B) Corrigir o déficit sódio para 140 mEq/L e fazer 5 mEq bicarbonato.
  3. C) Reposição volêmica com solução salina isotônica e não infundir bicarbonato.
  4. D) Hidratar com volumes iguais de soro glicosado e fisiológico e 10 mEq bicarbonato.
  5. E) Não corrigir déficit sódio e usar apenas solução polarizante.

Pérola Clínica

Lactente desidratado com acidose metabólica e hipercalemia → Reposição volêmica com SF 0,9% é prioritária.

Resumo-Chave

Em um lactente desidratado com acidose metabólica e hipercalemia, a prioridade é a reposição volêmica rápida com solução salina isotônica (SF 0,9%). A expansão do volume intravascular melhora a perfusão renal, corrigindo a acidose e a hipercalemia de forma mais fisiológica do que a administração direta de bicarbonato ou correção de sódio.

Contexto Educacional

A desidratação grave em lactentes é uma emergência pediátrica que requer reconhecimento e manejo rápidos para prevenir complicações sérias, incluindo choque e óbito. Frequentemente, a desidratação grave é acompanhada por distúrbios hidroeletrolíticos e ácido-básicos, como acidose metabólica e hipercalemia, devido à hipoperfusão tecidual e disfunção renal. A fisiopatologia da acidose metabólica na desidratação grave é multifatorial, incluindo hipoperfusão renal (levando ao acúmulo de ácidos e falha na excreção de potássio), produção de lactato devido à hipóxia tecidual e perdas gastrointestinais de bicarbonato. A hipercalemia pode ser exacerbada pela acidose, que causa um shift de potássio do intracelular para o extracelular. A conduta inicial é sempre a reposição volêmica agressiva com solução salina isotônica (SF 0,9%) em bolus de 10-20 mL/kg, repetidos conforme a resposta clínica. Essa medida visa restaurar o volume intravascular, melhorar a perfusão de órgãos vitais e, consequentemente, corrigir a acidose e a hipercalemia. A correção específica de eletrólitos ou bicarbonato deve ser considerada apenas após a estabilização hemodinâmica e se os distúrbios persistirem, pois a correção rápida e inadequada pode ser perigosa.

Perguntas Frequentes

Qual a prioridade no manejo de um lactente desidratado com acidose metabólica e hipercalemia?

A prioridade é a reposição volêmica rápida com solução salina isotônica (soro fisiológico 0,9%), visando restaurar a perfusão tecidual e renal, o que por sua vez ajuda a corrigir a acidose e a hipercalemia.

Por que a reposição volêmica com SF 0,9% é preferível à administração de bicarbonato ou correção de sódio inicial?

A acidose e a hipercalemia são frequentemente secundárias à hipoperfusão e insuficiência renal aguda pré-renal. A expansão de volume melhora a perfusão, permitindo que os rins eliminem o excesso de potássio e o corpo tamponize a acidose, sendo uma abordagem mais fisiológica e segura.

Quais são os sinais de alerta para desidratação grave em lactentes?

Sinais de desidratação grave incluem letargia, fontanela deprimida, olhos encovados, ausência de lágrimas, boca seca, tempo de enchimento capilar prolongado (>3 segundos), pulsos fracos e oligúria/anúria.

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