UEPA Revalida - Universidade do Estado do Pará — Prova 2023
Pré-escolar 3 anos e 4 meses de idade, pesando 18 Kg, sexo masculino, evoluindo com quadro de diarreia há quatro dias, de consistência amolecida, em torno de cinco episódios ao dia, há um dia mãe observou que as evacuações tornaram-se escuras, meio enegrecidas e notou raios de sangue nas evacuações. Mãe refere que apresentou episódios de vômitos (seis episódios) e que apresentou febre, que cedeu com uso de antitérmico (Dipirona). Ao exame físico: Préescolar grave, está nos braços da mãe, sonolento, mas reage com choro ao manuseio, olhos fundos e secos, pulsos filiformes, perfusão capilar periférica de 3 seg e anúrico há 8 horas. Considerando que você é o (a) médico (a) que atende este menor na UPA, e obedecendo as normas preconizadas pelo Ministério da Saúde, marque a única alternativa correta que corresponde ao diagnóstico, tratamento e ao Plano de Terapia de Reidratação.
Desidratação grave + diarreia sanguinolenta em criança → Plano C (SF 0,9% 20 mL/kg) + Ceftriaxona.
O quadro clínico da criança (sonolência, olhos fundos, pulsos filiformes, TPC > 3s, anúria) indica desidratação grave, que requer reidratação endovenosa rápida (Plano C do MS). A presença de diarreia com sangue (disenteria) e febre sugere infecção bacteriana invasiva, justificando a antibioticoterapia empírica com Ceftriaxona.
A diarreia aguda é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças menores de cinco anos globalmente, e a desidratação é sua complicação mais grave. O reconhecimento precoce e o manejo adequado da desidratação são cruciais para salvar vidas. O Ministério da Saúde do Brasil preconiza planos de reidratação (A, B e C) baseados na gravidade da desidratação. A fisiopatologia da desidratação na diarreia envolve a perda excessiva de água e eletrólitos pelas fezes, vômitos e, em casos de febre, pela transpiração. A desidratação grave é caracterizada por sinais de choque hipovolêmico, como alteração do nível de consciência, pulsos filiformes, enchimento capilar prolongado e anúria. A presença de sangue nas fezes (disenteria) sugere uma infecção bacteriana invasiva, que pode ser causada por agentes como Shigella, Salmonella ou Campylobacter, e aumenta o risco de complicações. O tratamento da desidratação grave (Plano C) consiste na reidratação intravenosa rápida com soro fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato, em bolus de 20 mL/kg, repetidos até a estabilização do paciente. Em casos de disenteria com sinais de toxicidade ou desidratação grave, a antibioticoterapia empírica é recomendada, sendo a Ceftriaxona uma escolha adequada devido à sua eficácia contra patógenos entéricos comuns e boa penetração tecidual. A reavaliação contínua do estado de hidratação e a monitorização dos eletrólitos são essenciais durante todo o processo.
Sinais de desidratação grave incluem letargia ou inconsciência, olhos muito fundos, ausência de lágrimas, boca e língua muito secas, elasticidade da pele muito diminuída (sinal da prega), pulsos fracos ou ausentes, enchimento capilar prolongado (>3 segundos) e anúria.
A antibioticoterapia é indicada em casos de diarreia com sangue (disenteria), suspeita de cólera, diarreia persistente com desnutrição grave, ou em pacientes imunocomprometidos. A Ceftriaxona é uma opção comum para diarreia invasiva.
O Plano C de reidratação envolve a administração rápida de solução intravenosa (Soro Fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato) em bolus de 20 mL/kg, repetidos até a melhora dos sinais de choque e desidratação, com reavaliação constante do paciente.
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