Desidratação Grave Pediátrica: Manejo do Choque

FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2024

Enunciado

Criança com 9 meses de idade, levada a UPA, com 5 episódios de vômitos há 24h e diarreia líquida, há 2 dias, em grande volume e sem sangue. Não aceitou em casa o SRO. Ao exame, está prostrada, palidez cutânea, frequência cardíaca 160 bpm, frequência respiratória 50ipm, pressão arterial 70 x 50 mmHg, pulsos radiais de baixa amplitude, enchimento capilar 6 segundos. Teve perda de peso de 11%. Qual o procedimento correto para este caso?

Alternativas

  1. A) Ser encaminhada para UTI pela gravidade, pois não pode ser atendida num pronto atendimento.
  2. B) Tentar gastróclise para administrar o SRO.
  3. C) Iniciar de imediato 20ml/K de soro fisiológico a cada 30 minutos e reavaliar.
  4. D) Administrar ondansetrona intramuscular e em seguida tentar SRO.
  5. E) Iniciar de imediato 30 ml/K de soro fisiológico em 30 minutos, seguido de 70ml/K de Ringer lactato em 2,5 horas.

Pérola Clínica

Desidratação grave/choque em criança: iniciar SF 0,9% 30 mL/kg em 30 min, seguido de 70 mL/kg em 2,5h (Plano C).

Resumo-Chave

A criança apresenta sinais de choque hipovolêmico (prostração, taquicardia, hipotensão, pulsos débeis, TPC prolongado, perda de peso >10%). O tratamento inicial é a reposição volêmica rápida com cristaloides, seguindo o Plano C de reidratação para desidratação grave.

Contexto Educacional

A desidratação grave em crianças, frequentemente causada por diarreia aguda, é uma emergência pediátrica que pode evoluir rapidamente para choque hipovolêmico e óbito se não for prontamente tratada. A identificação precoce dos sinais de gravidade, como prostração, taquicardia, hipotensão e tempo de enchimento capilar prolongado, é crucial para um manejo adequado. A perda de peso superior a 10% é um indicador de desidratação grave. O manejo da desidratação grave com choque em crianças segue o Plano C de reidratação, preconizado pela OMS e Ministério da Saúde. Este plano consiste na administração rápida de cristaloides isotônicos por via intravenosa. A primeira fase envolve a infusão de 30 mL/kg de soro fisiológico 0,9% ou Ringer lactato em 30 minutos, com reavaliação constante do paciente. Após a fase inicial de expansão, se houver melhora dos sinais de choque, a segunda fase do Plano C consiste na administração dos restantes 70 mL/kg do volume total em 2,5 horas. É fundamental monitorar a frequência cardíaca, pressão arterial, pulsos, nível de consciência e débito urinário. A falha em responder à reposição volêmica inicial pode indicar a necessidade de considerar outras causas de choque ou a necessidade de suporte avançado em UTI.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos de desidratação grave e choque hipovolêmico em crianças?

Sinais incluem prostração, letargia, taquicardia, hipotensão, pulsos periféricos fracos ou ausentes, enchimento capilar prolongado (>3 segundos), olhos encovados, ausência de lágrimas e perda de peso superior a 10%.

Qual a conduta inicial para uma criança com desidratação grave e sinais de choque?

A conduta inicial é a reposição volêmica rápida com cristaloides isotônicos (soro fisiológico 0,9% ou Ringer lactato). A recomendação é iniciar com 30 mL/kg em 30 minutos, seguido de 70 mL/kg nas próximas 2,5 horas, conforme o Plano C.

Por que não se deve tentar SRO ou gastróclise em crianças com choque hipovolêmico?

Crianças em choque estão prostradas, com comprometimento da perfusão e absorção intestinal, além de risco aumentado de aspiração. A via oral é ineficaz e perigosa nestes casos, sendo a via intravenosa a única opção segura e eficaz para reverter o choque.

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