Diarreia Aguda Pediátrica: Desidratação e Hipopotassemia

AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2023

Enunciado

Lactente de 18 meses chega na emergência, pois, desde a noite passada, está mais prostrado, aceitou pouco a janta e vomitou logo em seguida. Está há 3 dias com evacuações líquidas 4-5 vezes ao dia sem restos patológicos, e febrícula 2 picos ao dia. Ao exame, está taquicárdico, normotenso, GLASGOW de 10, desidratado grave com déficit perfusional importante. Consultou no início dos sintomas e, como estava hidratado, foi liberado apenas com soro oral e sintomáticos. Em relação a esse caso, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) A hipopotassemia, caso presente, se justifica pela diarreia aguda. 
  2. B) O diagnóstico é de choque séptico e deve-se iniciar expansão volêmica cristaloide, com soro fisiológico melhor que ringer lactato.
  3. C) O estado neurológico na admissão indica intubação traqueal para permeabilizar via aérea.
  4. D) A pressão arterial e o lactato sérico normais afastam choque séptico nesse caso, classificando a situação clínica como sepse grave.

Pérola Clínica

Diarreia aguda em lactentes → perda de eletrólitos, especialmente potássio (hipopotassemia).

Resumo-Chave

A diarreia aguda é uma causa comum de desidratação e distúrbios eletrolíticos em crianças. A perda de fluidos gastrointestinais ricos em eletrólitos, como o potássio, pode levar à hipopotassemia, que pode agravar o quadro clínico.

Contexto Educacional

A desidratação grave em lactentes, frequentemente causada por diarreia aguda, é uma emergência pediátrica que exige reconhecimento e manejo rápidos. A perda de volume e eletrólitos pode levar a um quadro de choque hipovolêmico, com comprometimento da perfusão de órgãos vitais. A avaliação do estado de hidratação e perfusão é crucial, utilizando parâmetros clínicos como nível de consciência, frequência cardíaca, enchimento capilar e turgor da pele. A diarreia aguda não só causa perda de água, mas também de eletrólitos importantes, como sódio, cloreto e, principalmente, potássio. A hipopotassemia é uma complicação comum e pode levar a arritmias cardíacas, fraqueza muscular e íleo paralítico, agravando o quadro. O manejo inicial foca na reposição volêmica agressiva com cristaloides isotônicos para reverter o choque, seguida pela correção dos distúrbios eletrolíticos e reidratação oral ou endovenosa contínua. É importante diferenciar o choque hipovolêmico de outras formas de choque, como o séptico, embora possam coexistir. A presença de desidratação grave com sinais de má perfusão, mesmo com pressão arterial normal (compensada), já indica um quadro de choque. A correção da hipopotassemia deve ser feita com cautela, geralmente após a restauração do volume intravascular e com monitoramento cardíaco.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de desidratação grave em lactentes?

Sinais de desidratação grave em lactentes incluem letargia ou prostração, olhos encovados, ausência de lágrimas, boca e língua muito secas, turgor cutâneo diminuído (sinal da prega), enchimento capilar lentificado (>3 segundos), pulsos fracos e taquicardia.

Por que a diarreia aguda pode causar hipopotassemia?

A diarreia aguda causa hipopotassemia devido à perda significativa de potássio nas fezes. O intestino delgado e grosso secretam potássio ativamente, e o aumento do volume e frequência das evacuações líquidas leva a uma depleção considerável desse eletrólito.

Qual a conduta inicial para um lactente com desidratação grave e déficit perfusional?

A conduta inicial é a rápida expansão volêmica com cristaloides isotônicos (soro fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato) em bolus de 20 mL/kg, repetidos conforme a resposta clínica, para corrigir o choque hipovolêmico e restaurar a perfusão tecidual. A avaliação e correção de distúrbios eletrolíticos são subsequentes.

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