Desidratação Grave em Crianças: Manejo e Sinais Chave

HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2025

Enunciado

Menino, de 5 anos de idade, eutrófico, é levado à Unidade Básica de Saúde pelos pais por presença de cerca de seis evacuações pastosas ao dia, sem sangue, muco ou pus, há 48 horas. Eles negam febre, vômitos ou outras queixas. Você oferece água ao paciente e observa que, apesar de estar muito irritado e choroso, a criança ingere toda a água rapidamente. Ao exame físico, o paciente apresenta olhos fundos, choro sem lágrimas, pulso fraco e desaparecimento lento do sinal da prega. O restante do exame físico está normal.Qual é a conduta inicial neste caso?

Alternativas

  1. A) Administrar solução de reidratação oral (20mL/kg durante cerca de 4 horas) e iniciar antibioticoterapia oral na unidade de saúde.
  2. B) Administrar solução de reidratação oral (50-100mL/kg durante cerca de 4 horas) na unidade de saúde.
  3. C) Administrar soro fisiológico parenteral (20mL/kg em 30 minutos) em unidade hospitalar.
  4. D) Administrar soro fisiológico parenteral (20mL/kg em 30 minutos) e antibioticoterapia endovenosa em unidade hospitalar.
  5. E) Administrar solução de reidratação oral (50-100mL/kg durante cerca de 8 horas) e iniciar antibioticoterapia oral na unidade de saúde.

Pérola Clínica

Criança com desidratação grave (irritada, olhos fundos, prega lenta) → SRO 50-100mL/kg em 4h na UBS.

Resumo-Chave

A criança apresenta sinais de desidratação grave (irritabilidade, olhos fundos, choro sem lágrimas, pulso fraco, sinal da prega lento). A conduta inicial para desidratação grave sem choque é a reidratação oral rápida com SRO, administrando 50-100 mL/kg em 4 horas na unidade de saúde, conforme o Plano C da OMS.

Contexto Educacional

A desidratação é uma complicação comum da diarreia aguda em crianças e representa uma das principais causas de morbimortalidade infantil globalmente. A avaliação do grau de desidratação é fundamental para guiar a conduta, sendo classificada em sem desidratação, desidratação e desidratação grave, baseada em sinais clínicos específicos como estado geral, olhos, lágrimas, boca, sede, sinal da prega e pulso. O diagnóstico da desidratação grave é feito pela presença de dois ou mais dos seguintes sinais: letargia ou inconsciência, olhos muito fundos, choro sem lágrimas, boca e língua muito secas, pulso fraco ou ausente, enchimento capilar prolongado e desaparecimento muito lento do sinal da prega. A sede intensa e a avidez por água são indicativos importantes, especialmente em crianças irritadas. O tratamento da desidratação grave sem choque, conforme as diretrizes da OMS e do Ministério da Saúde, prioriza a Terapia de Reidratação Oral (TRO) com SRO na dose de 50-100 mL/kg em 4 horas, administrada na unidade de saúde. A hidratação parenteral (soro fisiológico 20 mL/kg em 30 minutos) é reservada para casos de choque hipovolêmico ou vômitos incoercíveis que impedem a TRO. O acompanhamento rigoroso dos sinais de melhora ou piora é essencial para ajustar a conduta.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de desidratação grave em crianças?

Os sinais de desidratação grave incluem irritabilidade ou letargia, olhos fundos, choro sem lágrimas, boca e língua muito secas, pulso fraco e rápido, enchimento capilar prolongado e desaparecimento muito lento do sinal da prega cutânea.

Qual a conduta inicial para desidratação grave sem choque em crianças?

A conduta inicial é a administração de solução de reidratação oral (SRO) na unidade de saúde, na dose de 50-100 mL/kg durante aproximadamente 4 horas, conforme o Plano C da OMS. A hidratação parenteral é reservada para casos com choque ou vômitos incoercíveis.

Por que a reidratação oral é preferível à parenteral na maioria dos casos de desidratação?

A reidratação oral é preferível por ser mais fisiológica, segura, eficaz e de menor custo. Ela permite a correção gradual dos distúrbios hidroeletrolíticos e evita os riscos associados à punção venosa e à administração de fluidos intravenosos, como infecções e sobrecarga hídrica.

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