Desidratação Grave em Lactentes: Diagnóstico e Manejo

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Lactente, de 1 ano e 6 meses, previamente hígida, iniciou quadro de evacuações líquidas há dois dias, apresentando cerca de dez episódios por dia. Seus pais referem vários casos de diarreia aguda na creche que ela frequenta e informam que ela não está se alimentando, recusando inclusive o leite materno. Além disso, notaram que, nas últimas 24 horas, ela está mais prostrada e praticamente não urinou. Ao exame físico, a paciente apresenta muita sonolência, mucosas muito secas, taquicardia importante, pulsos finos e perfusão capilar periférica lentificada (sete segundos). Nesse caso, o diagnóstico e a conduta adequada, respectivamente, são de:

Alternativas

  1. A) desidratação grave / hidratação por via enteral a partir de uma sonda nasogástrica.
  2. B) desidratação grave e infecção bacteriana / antibioticoterapia venosa em soro glicosado.
  3. C) desidratação leve / terapia de reidratação oral na UBS e, após alta, retornar em caso de gravidade.
  4. D) desidratação grave / reposição hídrica por via venosa, inicialmente a partir de uma etapa de expansão.

Pérola Clínica

Lactente com diarreia, sonolência, taquicardia, pulsos finos, TPC >3s → Desidratação grave = Reposição IV com expansão.

Resumo-Chave

A presença de sinais como sonolência, taquicardia, pulsos finos e tempo de enchimento capilar lentificado (>3 segundos) em um lactente com diarreia indica desidratação grave e choque hipovolêmico, exigindo reposição volêmica intravenosa imediata.

Contexto Educacional

A desidratação grave em lactentes, frequentemente causada por diarreia aguda, é uma emergência pediátrica que exige reconhecimento e tratamento imediatos. A diarreia aguda é uma das principais causas de morbimortalidade infantil globalmente, e a identificação precoce dos sinais de gravidade é crucial para evitar complicações sérias como o choque hipovolêmico. Compreender a fisiopatologia da perda de fluidos e eletrólitos é fundamental para um manejo eficaz. O diagnóstico de desidratação grave baseia-se em achados clínicos como sonolência, letargia, mucosas muito secas, olhos encovados, ausência de lágrimas, taquicardia, pulsos finos ou ausentes, tempo de enchimento capilar prolongado (>3 segundos), hipotensão (sinal tardio) e oligúria ou anúria. A história de múltiplos episódios de evacuações líquidas e recusa alimentar reforça a suspeita. A avaliação do estado de hidratação deve ser sistemática e rápida. A conduta para desidratação grave é a reposição hídrica por via venosa, iniciando com a fase de expansão para reverter o choque. Soluções isotônicas como soro fisiológico 0,9% são administradas em bolus (20 mL/kg em 15-20 minutos), podendo ser repetidas. Após a estabilização hemodinâmica, segue-se a fase de manutenção e correção de déficits. A terapia de reidratação oral é reservada para desidratação leve a moderada, ou após a estabilização do paciente grave.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de desidratação grave em lactentes?

Os sinais de desidratação grave incluem sonolência, letargia, mucosas muito secas, olhos encovados, ausência de lágrimas, taquicardia, pulsos finos, tempo de enchimento capilar prolongado (>3 segundos), hipotensão (sinal tardio) e oligúria/anúria.

Qual a conduta inicial para um lactente com desidratação grave?

A conduta inicial é a reposição hídrica por via venosa, começando com uma etapa de expansão rápida com solução isotônica (ex: soro fisiológico 0,9%) em bolus, geralmente 20 mL/kg em 15-20 minutos, repetindo se necessário até estabilização.

Quando a terapia de reidratação oral é contraindicada na diarreia aguda?

A terapia de reidratação oral é contraindicada em casos de desidratação grave, choque, vômitos incoercíveis, íleo paralítico, distensão abdominal importante ou alteração do nível de consciência.

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