Desidratação Grave em Lactentes: Manejo do Choque

HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2023

Enunciado

Menino com 6 meses de idade foi levado ao pronto- -socorro com quadro de febre, diarreia liquida, vômitos e diminuição da aceitação alimentar e da diurese há 2 dias. Ao exame físico, está em regular estado geral, irritado, com fontanela deprimida, com mucosas secas, turgor da pele diminuído, taquicárdico, com pulso periférico diminuído e tempo de enchimento capilar de 4 segundos. A conduta inicialmente indicada é

Alternativas

  1. A) dar alta com orientação de soro de reidratação oral, ondansetrona, antitérmico e retorno se sinais de alerta.
  2. B) iniciar terapia de reidratação oral 50 mL/kg a ser oferecida em ambiente hospitalar no período de 4 a 6 horas, com cálculo do índice de retenção após a 1a hora.
  3. C) prescrever metoclopramida intramuscular e oferecer terapia de reidratação oral 100 mL/kg, por sonda nasogástrica, no período de 4 a 6 horas.
  4. D) prescrever soro de expansão intravenoso – soro fisiológico 20 mL/kg em 20 minutos.
  5. E) internar e introduzir soro de manutenção 100 kcal/kg em 24 horas, utilizando-se soro glicosado a 10% associado a soro fisiológico e cloreto de potássio 19,1%.

Pérola Clínica

Lactente com desidratação grave/choque (irritado, TEC >3s, pulso ↓, fontanela ↓) → Expansão IV com SF 0,9% 20 mL/kg em 20 min.

Resumo-Chave

Os sinais clínicos (irritado, fontanela deprimida, mucosas secas, turgor diminuído, taquicárdico, pulso periférico diminuído, TEC 4 segundos) são indicativos de desidratação grave com choque hipovolêmico. A conduta inicial e prioritária é a rápida expansão volêmica intravenosa com soro fisiológico 0,9% na dose de 20 mL/kg em 20 minutos, com reavaliação contínua.

Contexto Educacional

A desidratação grave em lactentes, frequentemente associada a quadros de diarreia e vômitos, é uma emergência pediátrica que pode evoluir rapidamente para choque hipovolêmico e óbito se não for prontamente reconhecida e tratada. A avaliação clínica é fundamental para diferenciar os graus de desidratação e determinar a via e o tipo de reidratação. Sinais como letargia, pulsos fracos, tempo de enchimento capilar prolongado, hipotensão e fontanela deprimida são indicativos de gravidade. No cenário de desidratação grave com sinais de choque (Plano C do Ministério da Saúde/OMS), a prioridade é a restauração rápida do volume intravascular. A conduta inicial consiste na administração de soro fisiológico 0,9% (solução isotônica) por via intravenosa, em bolus de 20 mL/kg, administrado em 15 a 20 minutos. Esta dose pode ser repetida até que os sinais de choque melhorem, com reavaliações contínuas do estado hemodinâmico da criança. Após a estabilização inicial e melhora dos sinais de choque, a criança deve ser reavaliada para determinar o grau de desidratação residual e continuar a reidratação, seja por via oral (se tolerar) ou intravenosa de manutenção. É crucial monitorar eletrólitos e glicemia, especialmente após a fase de expansão, para evitar complicações. O manejo adequado da desidratação grave é um pilar da pediatria de emergência e um conhecimento indispensável para residentes.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de desidratação grave em lactentes?

Os sinais de desidratação grave incluem letargia ou inconsciência, olhos muito fundos, ausência de lágrimas, mucosas muito secas, turgor da pele muito diminuído (sinal da prega), fontanela deprimida, pulsos fracos ou ausentes, enchimento capilar prolongado (>3 segundos) e taquicardia.

Qual a conduta inicial para um lactente com desidratação grave e sinais de choque?

A conduta inicial é a expansão volêmica rápida com soro fisiológico 0,9% por via intravenosa. A dose recomendada é de 20 mL/kg, administrada em 15 a 20 minutos, podendo ser repetida até a melhora dos sinais de choque.

Por que o soro fisiológico 0,9% é a solução de escolha para expansão volêmica?

O soro fisiológico 0,9% é uma solução isotônica que permanece predominantemente no espaço intravascular, sendo eficaz para restaurar o volume circulante e a perfusão tecidual em situações de choque hipovolêmico. Soluções hipotônicas ou glicosadas não são adequadas para expansão.

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