Desidratação Grave em Lactentes: Manejo e Hidratação EV

Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2022

Enunciado

Menino, 8 meses de idade, tem diarreia há 3 dias, com 8 a 10 evacuações ao dia, de fezes aquosas e explosivas. Nesse período, são ofertados chás de camomila, erva-doce e água de arroz. No dia anterior, foi avaliado, tinha peso de 7 kg e foi orientada a oferta de soro de reidratação oral, mas a criança não gostou. Hoje pesa 6100 g, as mucosas estão secas, os olhos estão fundos e o tempo de enchimento capilar é de 5 segundos. Durante o exame, urinou pequena quantidade de urina clara. A conduta indicada para o quadro apresentado é

Alternativas

  1. A) internação hospitalar, hidratação endovenosa e administração de ceftriaxona.
  2. B) hidratação endovenosa e dosagem de eletrólitos séricos.
  3. C) oferta de solução de reidratação oral 50 mL/kg, em colher ou copo, em 4 horas.
  4. D) oferta de solução de reidratação oral 20 mL/kg, por sonda nasogástrica, em 12 horas.
  5. E) oferta de solução de reidratação oral 50 mL/kg após cada evacuação.

Pérola Clínica

Lactente com desidratação grave (TEC > 3s, olhos fundos, perda peso > 10%) → Hidratação EV imediata + eletrólitos.

Resumo-Chave

O lactente apresenta sinais claros de desidratação grave (perda de peso significativa, mucosas secas, olhos fundos, TEC de 5 segundos), indicando necessidade de hidratação endovenosa urgente para corrigir o déficit volêmico e prevenir o choque. A dosagem de eletrólitos é essencial para guiar a reposição e evitar complicações.

Contexto Educacional

A desidratação em lactentes, frequentemente causada por diarreia aguda, é uma condição pediátrica comum e potencialmente grave. A avaliação do grau de desidratação é fundamental para guiar a conduta terapêutica. Sinais como perda de peso superior a 10%, olhos fundos, mucosas secas, tempo de enchimento capilar prolongado (>3 segundos), ausência de lágrimas e letargia indicam desidratação grave, que pode evoluir rapidamente para choque hipovolêmico. Nesse cenário de desidratação grave, a hidratação oral, embora crucial em casos leves a moderados, é insuficiente e contraindicada como medida inicial. A prioridade é a rápida reposição volêmica por via endovenosa, utilizando soluções isotônicas como o soro fisiológico 0,9% em bolus de 20 mL/kg, repetidos conforme a resposta clínica. A monitorização contínua dos sinais vitais e do estado de hidratação é imperativa. Além da reposição volêmica, a dosagem de eletrólitos séricos (sódio, potássio, cloreto) é essencial. Distúrbios eletrolíticos, especialmente hiponatremia ou hipernatremia, são comuns na desidratação e podem ter implicações neurológicas graves se não forem prontamente identificados e corrigidos. O tratamento deve ser individualizado, visando não apenas a reexpansão volêmica, mas também a correção dos desequilíbrios hidroeletrolíticos e ácido-básicos.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de desidratação grave em crianças?

Sinais incluem letargia, olhos fundos, ausência de lágrimas, mucosas muito secas, perda de turgor da pele, tempo de enchimento capilar prolongado (>3 segundos), pulsos fracos e hipotensão (sinal tardio).

Qual a conduta inicial para desidratação grave em lactentes?

A conduta inicial é a hidratação endovenosa rápida com solução isotônica (ex: soro fisiológico 0,9%) em bolus de 20 mL/kg, repetindo se necessário, e monitoramento rigoroso da resposta clínica.

Por que dosar eletrólitos em desidratação grave?

A dosagem de eletrólitos é crucial para identificar e corrigir distúrbios como hiponatremia ou hipernatremia, que são comuns na desidratação e podem complicar o quadro, exigindo ajustes na reposição de fluidos.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo