Desidratação Grave em Lactentes: Manejo e SRO

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2023

Enunciado

Menino, 9 meses de idade, tem febre, diarreia e vômitos há 2 dias. Apresenta 6 a 8 evacuações líquidas ao dia, sem muco ou sangue. Ao exame, está irritado, a mucosa oral está seca, o turgor diminuído, e o tempo de enchimento capilar é de 4 segundos. Não há informação de diurese nas últimas 6 horas. O plano de tratamento adequado ao quadro apresentado é

Alternativas

  1. A) internação hospitalar, coleta de coprocultura, urocultura e hemocultura, hidratação intravenosa com soro fisiológico 0,9% 20 mL/Kg.
  2. B) internação hospitalar, hidratação intavenosa com Ringer lactato 70 mL/kg em 2 horas e posterior dosagem sérica de eletrólitos.
  3. C) oferta de soro de hidratação oral padrão 1000 mL, no serviço de saúde e coleta de coprocultura.
  4. D) oferta domiciliar de soro de reidratação oral padrão e outros líquidos após cada evacuação. Retorno para avaliação em 24 horas.
  5. E) reposição de 50 a 100 mL/kg de soro de reidratação oral hiposmolar, em 4 a 6 horas, na presença de profissional de saúde.

Pérola Clínica

Desidratação grave em lactente → Plano C (choque): SRO hiposmolar 50-100 mL/kg em 4-6h, sob supervisão.

Resumo-Chave

O lactente apresenta sinais de desidratação grave (irritado, mucosa seca, turgor diminuído, TEC 4s, oligúria presumida), necessitando de reidratação rápida. A via oral é preferível mesmo em casos graves, se o paciente estiver consciente e sem vômitos incoercíveis, utilizando SRO hiposmolar.

Contexto Educacional

A desidratação é uma complicação comum da diarreia aguda em crianças, sendo uma das principais causas de morbimortalidade infantil globalmente. A correta avaliação do grau de desidratação é crucial para o manejo adequado, prevenindo complicações graves como o choque hipovolêmico. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde do Brasil classificam a desidratação em leve, moderada e grave, com planos de tratamento específicos para cada categoria. A fisiopatologia da desidratação envolve a perda excessiva de água e eletrólitos, principalmente sódio e potássio, através das fezes e vômitos. A avaliação clínica deve focar em sinais como estado geral, olhos, lágrimas, mucosas, turgor da pele e tempo de enchimento capilar. O tempo de enchimento capilar prolongado (>3 segundos), turgor diminuído e mucosas secas são indicativos de desidratação grave. O tratamento da desidratação grave sem choque (Plano C) preconiza a reidratação oral com Soro de Reidratação Oral (SRO) hiposmolar, na dose de 50 a 100 mL/kg, administrado em 4 a 6 horas, sob supervisão de um profissional de saúde. O SRO hiposmolar é mais eficaz na redução do volume de fezes e da duração da diarreia em comparação com o SRO padrão. A hidratação intravenosa é reservada para casos de choque, vômitos incoercíveis ou falha da terapia oral.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de desidratação grave em lactentes?

Sinais incluem irritabilidade ou letargia, olhos encovados, ausência de lágrimas, boca e língua secas, turgor da pele diminuído, tempo de enchimento capilar prolongado (>3 segundos) e oligúria.

Qual a conduta inicial para desidratação grave em crianças?

A conduta inicial para desidratação grave sem choque é a reposição de 50 a 100 mL/kg de soro de reidratação oral hiposmolar em 4 a 6 horas, sob supervisão profissional.

Quando a hidratação intravenosa é indicada na desidratação pediátrica?

A hidratação intravenosa é indicada em casos de choque hipovolêmico, vômitos incoercíveis, distensão abdominal ou íleo paralítico, ou falha da terapia de reidratação oral.

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