Desidratação Grave em Lactentes: Manejo de Emergência

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2022

Enunciado

Lactente de oito meses de idade, sexo feminino, 6,2Kg, desnutrido, vem apresentando, há três dias, eliminação de fezes liquidas, quatro a cinco vezes ao dia, acompanhada de febre baixa, 1 a 2 vezes ao dia, e que cede com antitérmico. Está em uso de soro caseiro. Mãe o leva ao pronto atendimento devido ao surgimento de prostração intensa, piora da febre, hiporexia, vômito e surgimento de sangue nas fezes. Ao exame físico: letárgico, sinal de prega que diminui após quatro segundos, mucosa oral muito seca, olhos muito fundos, sem lágrimas, fontanela anterior muito deprimida, pulsos periféricos muito finos, diurese ausente hoje. Nasceu a termo (IGC= 37 semanas; PN= 3Kg) Em relação ao caso, assinale a alternativa ERRADA:

Alternativas

  1. A) Está indicado antibioticoterapia, sendo a ceftriaxona via intramuscular, uma vez ao dia por cinco dias, uma das alternativas
  2. B) Inicialmente, deve ser administrado cloreto de sódio a 0,9%, 20mL/Kg, via intravenosa, em até 30 minutos
  3. C) O vômito prejudica a reidratação oral e ondansetrona em dose única oral pode ser administrada
  4. D) O zinco deve ser administrado na dose de 10mg, uma vez no dia, durante 10 a 14 dias

Pérola Clínica

Lactente com desidratação grave/choque e diarreia sanguinolenta → Reanimação IV imediata + ATB (Ceftriaxona).

Resumo-Chave

Em casos de desidratação grave com sinais de choque (letargia, pulsos finos, anúria) e diarreia com sangue, a prioridade é a reanimação volêmica intravenosa rápida e antibioticoterapia empírica para diarreia invasiva. A tentativa de reidratação oral, mesmo com antieméticos, é inadequada e pode atrasar o tratamento vital.

Contexto Educacional

A desidratação grave em lactentes é uma emergência pediátrica comum, especialmente em contextos de desnutrição, e pode rapidamente progredir para choque hipovolêmico e óbito se não for tratada prontamente. A diarreia com sangue (disenteria) sugere etiologia bacteriana invasiva, que requer atenção especial devido ao risco de sepse e outras complicações sistêmicas. O reconhecimento precoce dos sinais de gravidade é crucial para a intervenção adequada. A fisiopatologia da desidratação envolve a perda excessiva de água e eletrólitos, levando à hipovolemia. Em casos de diarreia invasiva, a integridade da mucosa intestinal é comprometida, permitindo a translocação bacteriana e a resposta inflamatória sistêmica. O diagnóstico é clínico, baseado nos sinais de desidratação e choque. A avaliação do estado nutricional e a história de fezes com sangue são importantes para guiar a conduta terapêutica. O tratamento da desidratação grave com choque exige reanimação volêmica intravenosa agressiva com cristaloides isotônicos. A antibioticoterapia empírica, geralmente com ceftriaxona, é indicada para diarreia invasiva. A suplementação de zinco é recomendada para reduzir a duração e gravidade dos episódios diarreicos e prevenir futuros. O uso de antieméticos como ondansetrona pode ser útil para facilitar a reidratação oral em casos leves a moderados, mas não substitui a reidratação intravenosa em quadros graves ou de choque.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de desidratação grave e choque hipovolêmico em lactentes?

Sinais de desidratação grave incluem letargia, olhos muito fundos, fontanela deprimida, mucosa oral muito seca, sinal da prega cutânea lento (>2 segundos). O choque hipovolêmico adiciona pulsos periféricos finos, tempo de enchimento capilar prolongado (>3 segundos) e diurese ausente ou muito diminuída.

Qual a conduta inicial para um lactente com desidratação grave e sinais de choque?

A conduta inicial é a reanimação volêmica intravenosa imediata com bolus de soro fisiológico a 0,9%, 20 mL/kg, administrado em 15-30 minutos. Esta dose pode ser repetida se necessário, enquanto se monitora a resposta clínica do paciente.

Quando a antibioticoterapia é indicada na diarreia pediátrica?

A antibioticoterapia é indicada em casos de diarreia com sinais de invasão, como presença de sangue nas fezes (disenteria), febre alta persistente, prostração, e em crianças com desnutrição grave ou imunocomprometidas, devido ao maior risco de complicações.

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