Santa Casa de São José dos Campos (SP) — Prova 2022
Lactente com 7 meses de vida apresenta há 3 dias, evacuações líquidas, 4 a 5 vezes/dia, sem muco ou sangue; 2 episódios de vômitos no primeiro dia do quadro. Criança nascida a termo, sem intercorrências, aleitamento materno exclusivo até 6 meses e atualmente recebe 2 refeições com todos os grupos alimentares. Ao exame físico: afebril, alerta, lágrimas presentes, sedenta, boca e língua secas, pulso rápido, tempo de enchimento capilar entre 3-5 segundos. Qual a conduta na Unidade Básica de Saúde (UBS) para essa condição?
Lactente com diarreia e desidratação grave (sedenta, TPC 3-5s, pulso rápido) → Reidratação oral supervisionada na UBS.
O lactente apresenta sinais de desidratação grave (sedenta, boca e língua secas, pulso rápido, TPC entre 3-5 segundos), o que exige uma reidratação mais intensiva. A administração de soro de reidratação oral (SRO) sob supervisão médica na UBS é a conduta correta, seguindo o Plano C da OMS para desidratação grave, antes de considerar a via parenteral.
A diarreia aguda é uma das principais causas de morbimortalidade em lactentes e crianças pequenas, especialmente em países em desenvolvimento. A principal complicação é a desidratação, que pode variar de leve a grave e, se não tratada, levar ao choque e óbito. A avaliação do grau de desidratação é fundamental para guiar a conduta, sendo os sinais como sede, estado de consciência, turgor da pele, olhos encovados, presença de lágrimas, umidade da boca e tempo de enchimento capilar indicadores importantes. O manejo da diarreia aguda com desidratação é baseado na terapia de reidratação oral (TRO), que é eficaz, segura e de baixo custo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza planos de tratamento (A, B e C) conforme o grau de desidratação. O Plano C é indicado para desidratação grave, onde o paciente apresenta pelo menos dois dos seguintes sinais: letargia/inconsciência, olhos muito encovados, não consegue beber ou bebe muito mal, e prega cutânea que desaparece muito lentamente. Nesses casos, a reidratação oral é iniciada sob supervisão médica, com 100 mL/kg de SRO em 4-6 horas, monitorando a resposta e a tolerância. É crucial que a alimentação, incluindo o aleitamento materno, seja mantida durante o episódio de diarreia para evitar a desnutrição e auxiliar na recuperação. A suspensão da dieta é um erro comum que pode agravar o quadro nutricional da criança. A administração de SRO em pequenas quantidades e frequentemente, mesmo em casos de vômitos, geralmente é bem tolerada. A falha da TRO ou a presença de choque são indicações para reidratação intravenosa. A educação dos pais sobre os sinais de desidratação e a importância da TRO é vital para o sucesso do tratamento na atenção primária.
Os sinais de desidratação grave incluem letargia ou inconsciência, olhos muito encovados, ausência de lágrimas, boca e língua muito secas, sede intensa (bebe avidamente), prega cutânea que desaparece lentamente, pulsos rápidos e fracos, e tempo de enchimento capilar prolongado (>3 segundos).
A conduta inicial é a reidratação rápida. Se o lactente estiver consciente e conseguir beber, deve-se iniciar a terapia de reidratação oral (SRO) sob supervisão médica, administrando 100 mL/kg de SRO em 4-6 horas, em pequenas quantidades e frequentemente. A via parenteral é reservada para casos de choque, vômitos incoercíveis ou impossibilidade de ingestão oral.
Não, a suspensão da dieta não é recomendada. O aleitamento materno deve ser mantido e até intensificado. A alimentação deve ser continuada com alimentos habituais, pois ajuda a manter o estado nutricional e a recuperação da mucosa intestinal, prevenindo a desnutrição.
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