CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2026
Durante uma ação de saúde em uma comunidade ribeirinha, você é chamado para avaliar uma criança de 11 meses que apresenta diarreia há dois dias e três episódios de vômitos desde a manhã. A mãe relata que o bebê tem mamado menos e não urina há cerca de 6 horas. Ao exame, a criança está irritada, com olhos fundos e prega cutânea que se desfaz lentamente (cerca de 6 segundos). Não há febre. Com base no grau provável de desidratação, indique o tratamento preconizado no primeiro momento no Pronto Atendimento:
Prega > 2s + Olhos fundos + Oligúria → Desidratação Grave → Plano C (Expansão IV imediata).
A desidratação grave em lactentes é uma emergência médica que exige expansão volêmica intravenosa imediata (Plano C) para restaurar a perfusão tecidual e prevenir o choque.
A desidratação secundária a quadros de diarreia e vômitos continua sendo uma das principais causas de morbimortalidade infantil em áreas com saneamento precário. O reconhecimento rápido do grau de desidratação é a habilidade mais crítica para o médico generalista e pediatra. A classificação divide-se em: sem desidratação (Plano A), desidratação moderada (Plano B - reidratação oral no serviço de saúde) e desidratação grave (Plano C - reidratação parenteral).\n\nO tratamento parenteral visa a restauração rápida do volume intravascular para garantir a perfusão de órgãos vitais como rins e cérebro. A monitorização deve ser contínua, avaliando-se o retorno da diurese, a melhoria do estado de consciência e a normalização dos sinais vitais. Após a estabilização hemodinâmica, deve-se transicionar para a via oral assim que o paciente tolerar, mantendo o aleitamento materno.
Os sinais de desidratação grave incluem letargia ou inconsciência, olhos muito fundos, incapacidade de beber ou beber muito mal, e o sinal da prega que desaparece muito lentamente (mais de 2 segundos). Outros sinais importantes são a ausência de diurese por várias horas, pulsos débeis ou ausentes, e extremidades frias, que já indicam evolução para choque hipovolêmico. No caso clínico, a criança apresentava irritabilidade, olhos fundos, oligúria e sinal da prega de 6 segundos, preenchendo critérios para gravidade.
Para crianças menores de 5 anos, o Plano C consiste na administração imediata de líquidos intravenosos. A recomendação atual do Ministério da Saúde para menores de 5 anos é a fase de expansão com Soro Fisiológico 0,9% na dose de 20 ml/kg em 20 a 30 minutos, podendo ser repetida até que a estabilidade hemodinâmica seja alcançada. Em menores de 1 ano, o esquema pode ser mais prolongado (30 ml/kg em 1 hora e 70 ml/kg em 5 horas), mas a conduta inicial no pronto atendimento sempre foca na expansão rápida.
A reidratação parenteral está indicada em quatro situações principais: 1) Desidratação grave com sinais de choque ou pré-choque; 2) Vômitos persistentes e incoercíveis (que impedem a TRO); 3) Alteração do nível de consciência que gere risco de aspiração; 4) Falha na terapia de reidratação oral (piora dos sinais de desidratação ou perda de peso durante a observação). No caso da questão, a gravidade clínica impõe o acesso venoso imediato.
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