Desidratação Grave em Lactentes: Manejo com SRO e Aleitamento

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2021

Enunciado

Menino, 8 meses de idade, eutrófico, em aleitamento materno com boa aceitação, apresenta há 2 dias evacuaçõeslíquidas 6 vezes ao dia, sem sangue, muco ou pus. Exame físico: irritado, com olhos fundos, mucosas secas e choro sem lágrimas. Com basenestas informações, assinale a alternativa que apresenta a conduta inicial mais adequada.

Alternativas

  1. A) Administrar hidratação via parenteral, com 60 mL/kg em 4 horas, com posterior reavaliação, mantendo dieta sem lactose durante a reidratação.
  2. B) Administrar hidratação via parenteral, com 60 mL/kg em 4 horas, com posterior reavaliação, mantendo aleitamento materno durante a reidratação.
  3. C) Administrar solução de reidratação oral no serviço, com 60 mL/kg em 4 horas, com posterior reavaliação, mantendo dieta sem lactose durante a reidratação.
  4. D) Administrar solução de reidratação oral no serviço, com 60 mL/kg em 4 horas, com posterior reavaliação, mantendo aleitamento materno durante a reidratação.

Pérola Clínica

Lactente com desidratação grave (olhos fundos, mucosas secas, irritado) → SRO 60 mL/kg em 4h + manter aleitamento materno.

Resumo-Chave

O lactente apresenta sinais de desidratação grave (irritado, olhos fundos, mucosas secas, choro sem lágrimas). A conduta inicial para desidratação grave sem choque é a reidratação oral rápida com SRO no serviço de saúde, mantendo a alimentação habitual, incluindo o aleitamento materno.

Contexto Educacional

A diarreia aguda é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças menores de cinco anos, sendo a desidratação sua complicação mais grave. O reconhecimento precoce dos sinais de desidratação e o manejo adequado são cruciais para salvar vidas. A avaliação do estado de hidratação é feita por meio de sinais clínicos como nível de consciência, olhos, lágrimas, mucosas, sede, turgor da pele e enchimento capilar. Para crianças com desidratação grave, mas sem sinais de choque (como pulsos fracos, extremidades frias, rebaixamento do nível de consciência), a reidratação oral com Solução de Reidratação Oral (SRO) é a conduta de primeira linha, mesmo em ambiente hospitalar. O Plano C de reidratação preconiza a administração de 60 mL/kg de SRO em 4 horas, com reavaliação constante do paciente. Em casos de choque, a hidratação parenteral é indicada inicialmente. É fundamental que, durante a reidratação, a alimentação habitual da criança seja mantida, incluindo o aleitamento materno. O leite materno não só não agrava a diarreia, como oferece nutrientes, eletrólitos e fatores imunológicos que auxiliam na recuperação e previnem a desnutrição. A interrupção da alimentação pode prolongar o quadro e levar a complicações nutricionais. A educação dos pais sobre a importância da SRO e da manutenção da alimentação é parte integrante do tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de desidratação grave em lactentes?

Sinais de desidratação grave incluem letargia ou irritabilidade, olhos fundos, ausência de lágrimas, mucosas muito secas, turgor da pele muito diminuído (sinal da prega), e enchimento capilar lento.

Qual a conduta inicial para desidratação grave em crianças sem choque?

A conduta inicial é a reidratação oral rápida com Solução de Reidratação Oral (SRO) no serviço de saúde, administrando 60 mL/kg em 4 horas, com reavaliação contínua.

Por que é importante manter o aleitamento materno durante a reidratação para diarreia?

O aleitamento materno deve ser mantido porque fornece nutrientes essenciais, anticorpos e eletrólitos, ajudando na recuperação nutricional e imunológica da criança, além de não agravar a diarreia.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo