Desidratação Grave em Crianças: Diagnóstico e Manejo

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2023

Enunciado

Paciente de um ano de vida dá entrada no pronto atendimento infantil com quadro de diarreia aquosa, sem sangue ou pus (cerca de 12 episódios ao dia), com 3 dias de duração, sem a presença de vômitos ou febre, associado a prostração e hiporexia. A criança é previamente hígida. Ao exame: hipocorado (3+/4+), torporoso, enoftalmia, lágrimas ausentes, mucosas muito secas, associado à incapacidade de beber água. Enchimento capilar superior a 5. segundos, sinal da prega lentificado. Aparelho cardiovascular: ritmo cardíaco regular, em 2 tempos. Frequência cardíaca: 160 batimentos por minuto, pulso débil. O restante do exame físico sem alterações significativas. Sobre o caso clínico apresentado, é CORRETO afirmar que:

Alternativas

  1. A) A dieta, preferencialmente por via oral, deve ser iniciada juntamente com reposição volêmica.
  2. B) Trata-se de uma quadro de desidratação grave, devendo-se iniciar terapia de reidratação por via parenteral.
  3. C) Trata-se de quadro grave e antibioticoterapia deve ser prontamente iniciada.
  4. D) Os antieméticos devem ser iniciados durante a fase de hidratação oral para prevenção de vômitos.

Pérola Clínica

Criança torporosa, TPC >3s, pulso débil, incapacidade de beber → Desidratação grave = Hidratação IV urgente (Plano C).

Resumo-Chave

A presença de sinais como torpor, enchimento capilar prolongado (>3 segundos), pulso débil e incapacidade de beber água em uma criança com diarreia indica desidratação grave, exigindo reidratação intravenosa imediata para corrigir o choque hipovolêmico e prevenir complicações.

Contexto Educacional

A diarreia aguda é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças menores de 5 anos em todo o mundo, sendo a desidratação sua complicação mais grave. O reconhecimento rápido e a classificação correta do grau de desidratação são cruciais para um manejo eficaz e para a redução da mortalidade. A desidratação grave é uma emergência pediátrica que exige intervenção imediata. O diagnóstico de desidratação grave é clínico e baseia-se na avaliação de múltiplos sinais e sintomas. No caso apresentado, a criança exibe um conjunto de achados clássicos: torpor, enoftalmia, ausência de lágrimas, mucosas muito secas, incapacidade de beber água, enchimento capilar superior a 5 segundos e pulso débil com taquicardia. Esses sinais indicam uma perda de volume intravascular significativa e a presença de choque hipovolêmico, que é a principal causa de óbito por diarreia. A conduta para desidratação grave é a reidratação por via parenteral, seguindo o Plano C da Organização Mundial da Saúde (OMS). Isso envolve a administração rápida de fluidos intravenosos (geralmente soro fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato) em bolus para restaurar o volume circulatório. A hidratação oral é contraindicada em pacientes torporosos ou com incapacidade de beber, pois não seria eficaz e poderia levar à aspiração. A antibioticoterapia não é a prioridade e não é indicada para diarreia aquosa sem sinais de infecção bacteriana invasiva.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais clínicos de desidratação grave em crianças?

Os sinais de desidratação grave incluem letargia ou torpor, olhos encovados (enoftalmia), ausência de lágrimas, mucosas muito secas, incapacidade de beber, enchimento capilar prolongado (>3 segundos), pulso débil e taquicardia.

Qual a conduta inicial para uma criança com desidratação grave?

A conduta inicial é a terapia de reidratação por via intravenosa (Plano C), utilizando soro fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato, em bolus rápidos para restaurar o volume intravascular e corrigir o choque hipovolêmico.

Quando a antibioticoterapia é indicada na diarreia aguda infantil?

A antibioticoterapia não é rotineiramente indicada para diarreia aguda em crianças. É reservada para casos específicos, como diarreia com sangue (disenteria), suspeita de cólera, ou em pacientes imunocomprometidos, após avaliação clínica e laboratorial.

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