HSA Guarujá - Hospital Santo Amaro de Guarujá (SP) — Prova 2023
A desidratação aguda na infância tem como causa principal perdas gastrointestinais por diarreia aguda. No Brasil, em décadas passadas, era a maior causa de morbidade e mortalidade na primeira infância, mas com a melhora das condições sanitárias e de nutrição, a introdução de terapêutica de hidratação oral (HO), a vacinação contra o rotavírus, entre outras, houve uma redução da morbimortalidade, embora ainda seja muito frequente na população infantil, especialmente em crianças menores de 5 anos. Os tipos de desidratação são relacionados à intensidade das perdas de líquidos e eletrólitos e essa classificação é fundamental para o seu tratamento. Podem ser divididas em desidratação leve, moderada e grave. Também podem ser classificadas como tendo algum grau de desidratação e desidratação grave associada ou não ao choque. Na desidratação leve, existem perdas de até 5% dos líquidos (3 a 5%); na moderada até 10%; e na grave, acima de 10% de perdas ou mesmo choque. Com relação ao tratamento da diarreia aguda, é correto afirmar que:
Desidratação leve a moderada em crianças → SRO em pequenos volumes, supervisionado, por 4-6h (Plano B).
O tratamento da desidratação leve a moderada na infância, causada por diarreia aguda, baseia-se na reposição oral com Soro de Reidratação Oral (SRO). O Plano B da OMS preconiza a administração de SRO em pequenos volumes, frequentemente, por 4 a 6 horas, sob supervisão, para reverter o déficit de líquidos e eletrólitos de forma segura e eficaz.
A desidratação aguda na infância, principalmente por diarreia, permanece uma causa significativa de morbimortalidade global, apesar dos avanços na saúde pública. A classificação da desidratação em leve, moderada e grave é fundamental para guiar o tratamento, que se baseia na reposição de líquidos e eletrólitos. A terapia de reidratação oral (TRO) com Soro de Reidratação Oral (SRO) é a pedra angular do tratamento para desidratação leve a moderada, sendo uma intervenção de baixo custo e alta eficácia. O SRO, formulado pela OMS, contém glicose e eletrólitos em concentrações ideais para facilitar a absorção de água no intestino. Para desidratação leve a moderada (Plano B), o SRO deve ser administrado em pequenos volumes, de forma contínua e supervisionada, por um período de 4 a 6 horas, com o objetivo de repor as perdas e reverter o estado de desidratação. É crucial que a criança continue a se alimentar e que a amamentação não seja interrompida. É importante ressaltar que a retirada rotineira da lactose da dieta não é recomendada, pois a intolerância secundária é rara e a restrição pode prejudicar o estado nutricional. Probióticos podem ser adjuvantes, mas não substituem a TRO. Antieméticos como metoclopramida e dimenidrato não são recomendados para prevenir a desidratação em crianças com diarreia e vômitos, devido à falta de evidências de benefício e potenciais efeitos adversos. A educação dos pais sobre os sinais de desidratação e a importância da TRO é vital para o sucesso do tratamento.
Os sinais de desidratação leve a moderada incluem irritabilidade, olhos encovados, boca e língua secas, sede aumentada (bebe avidamente), elasticidade da pele diminuída (sinal da prega que desaparece lentamente) e redução da diurese. A perda de peso estimada é de 3-5% na leve e 6-9% na moderada.
O Plano B de hidratação oral consiste na administração de Soro de Reidratação Oral (SRO) em ambiente ambulatorial ou hospitalar, sob supervisão. A quantidade total de SRO é calculada com base no peso da criança (75 mL/kg) e deve ser oferecida em pequenos volumes, frequentemente, durante 4 a 6 horas, até a reidratação.
Probióticos, como Lactobacillus rhamnosus GG e Saccharomyces boulardii, podem ser úteis para reduzir a duração e a gravidade da diarreia aguda, mas não são tratamento de primeira escolha e não substituem a hidratação oral. O Bacillus clausii tem evidências mais limitadas em comparação com as cepas mencionadas.
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