PCR Pediátrica: Dose Correta para Desfibrilação (PALS)

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025

Enunciado

Adolescente de 12 anos de idade vítima de acidente por submersão é admitido na sala de emergência inconsciente, em apneia e sem pulso central. É iniciada massagem cardíaca imediatamente, posicionada a via aérea pela colocação de coxim sob o occipício, feita aspiração de vias aéreas superiores e fornecidas ventilações com bolsa-valva e máscara. A monitorização cardíaca mostra o seguinte. Assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Administrar amiodarona 5 mg/kg EV
  2. B) Realizar desfibrilação com 2 J/kg
  3. C) Administrar sulfato de magnésio 50 mg/kg EV
  4. D) Realizar cardioversão sincronizada com 1 J/kg

Pérola Clínica

PCR pediátrica com ritmo chocável (FV/TVSP) → Desfibrilação imediata com 2 J/kg, seguida de RCP de alta qualidade.

Resumo-Chave

Em uma parada cardiorrespiratória (PCR) com ritmo chocável, como Fibrilação Ventricular (FV) ou Taquicardia Ventricular Sem Pulso (TVSP), a desfibrilação é a terapia prioritária. A dose inicial recomendada pelo PALS (Suporte Avançado de Vida Pediátrico) é de 2 Joules por quilo de peso.

Contexto Educacional

A parada cardiorrespiratória (PCR) em pediatria é um evento de alta mortalidade que exige reconhecimento e intervenção rápidos e organizados. Diferentemente dos adultos, a maioria das PCRs pediátricas tem como causa primária a hipóxia e a insuficiência respiratória, sendo o afogamento um exemplo clássico. A abordagem segue os algoritmos do Suporte Avançado de Vida Pediátrico (PALS). O manejo inicial foca na cadeia de sobrevivência, com ênfase em compressões torácicas de alta qualidade e ventilação eficaz. Assim que um monitor/desfibrilador está disponível, o ritmo cardíaco deve ser avaliado. Os ritmos de PCR são classificados em chocáveis (Fibrilação Ventricular - FV; Taquicardia Ventricular Sem Pulso - TVSP) e não chocáveis (Atividade Elétrica Sem Pulso - AESP; Assistolia). Para ritmos chocáveis, como a FV, a desfibrilação elétrica é a terapia mais importante e deve ser realizada o mais rápido possível. A dose de energia recomendada para o primeiro choque é de 2 J/kg. Se o ritmo chocável persistir, as doses subsequentes podem ser aumentadas para 4 J/kg e, posteriormente, até um máximo de 10 J/kg ou a dose de adulto. Medicamentos como epinefrina e amiodarona são adjuvantes, mas não devem atrasar a desfibrilação.

Perguntas Frequentes

Como identificar um ritmo chocável como a Fibrilação Ventricular no monitor?

A Fibrilação Ventricular (FV) se apresenta no monitor como um traçado elétrico caótico, irregular, sem complexos QRS organizados ou ondas P discerníveis. É uma atividade elétrica desorganizada que não gera débito cardíaco.

Qual a conduta imediata após o primeiro choque em uma PCR pediátrica?

Imediatamente após administrar o choque de 2 J/kg, a equipe deve reiniciar as compressões torácicas de alta qualidade por 2 minutos. A checagem de pulso e ritmo só deve ser feita após a conclusão deste ciclo de RCP.

Qual a principal causa de PCR em crianças e como isso difere dos adultos?

A principal causa de PCR em crianças é a hipóxia decorrente de insuficiência respiratória (ex: afogamento, obstrução de via aérea), enquanto em adultos a causa mais comum é de origem cardíaca primária (ex: infarto). Por isso, a ventilação eficaz é um componente crítico desde o início da reanimação pediátrica.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo