INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2013
Estudante com 9 anos de idade vem apresentando dificuldades de aprendizagem e atos de indisciplina frequentes em relação aos professores, principalmente aos novos, que tiveram de ser substituidos por três vezes nos últimos dois meses por problemas de saúde. A escola solicitou que a mãe procurasse um "neurologista" para o menino e esta levou a criança inicialmente ao pediatra, referindo que ele tinha boa índole, ajudava nas tarefas de casa e tomava conta do irmão com 5 anos. Notou que tem apresentado notas mais baixas e reclama muito dos professores ultimamente. Nega atos indisciplinares que não sejam próprios da idade. O menino não gosta de ficar na rua, costuma brincar em casa e jogar futebol no final de semana com os amigos e primos. Em casa não tem computador e a mãe acha que esse é o motivo do mau desempenho escolar. A criança perdeu o pai há um ano, vítima de atropelamento. Ao exame físico, o pediatra não encontrou alterações. Com base nessa narrativa, a suspeita clínica e a conduta do pediatra devem ser:
Sintomas reacionais a estressores (luto) → Observação e suporte antes de rotular patologias.
Alterações de comportamento e desempenho escolar após eventos traumáticos (como luto) exigem avaliação cautelosa para diferenciar reações adaptativas de transtornos mentais.
A avaliação do desenvolvimento infantil deve ser sempre contextualizada. No caso apresentado, a criança sofreu a perda do pai e enfrenta instabilidade no ambiente escolar (troca frequente de professores), o que justifica mudanças comportamentais. O fato de o comportamento ser adequado em casa e no lazer sugere que não se trata de um transtorno invasivo ou de conduta primário. O papel do pediatra é atuar como coordenador do cuidado, realizando o seguimento longitudinal. A medicalização precoce ou o encaminhamento desnecessário a especialistas podem patologizar processos normais de adaptação. A conduta de 'vigilância atenta' permite observar se os sintomas regridem com a estabilização do ambiente escolar e o suporte familiar.
A diferenciação baseia-se na persistência, intensidade e prejuízo funcional dos sintomas em múltiplos ambientes (casa, escola, lazer). Comportamentos que surgem subitamente após eventos estressores, como o luto, e que não se manifestam em todos os contextos, sugerem reações adaptativas ou transtornos de ajustamento, em vez de patologias neurobiológicas crônicas.
O luto pode causar dificuldades de concentração, irritabilidade, isolamento ou regressão comportamental. Na escola, isso se traduz em queda nas notas e conflitos com figuras de autoridade. É fundamental que o pediatra valide esses sentimentos e oriente a família e a escola sobre o tempo necessário para o processamento da perda.
O encaminhamento deve ocorrer quando há risco de auto ou heteroagressão, sintomas psicóticos, prejuízo funcional grave que não melhora com intervenções iniciais, ou quando os critérios para transtornos específicos (como Depressão Maior ou TDAH) são claramente preenchidos após período de observação.
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