SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2020
Sandra, 27 anos, traz o filho de 6 meses e 20 dias para consulta de rotina. Pedro nasceu de parto normal com 39 semanas, adequado para a idade gestacional. O parto e o pré-natal não tiveram nenhuma intercorrência. A mãe está preocupada, porque Pedro ainda não está ficando sentado sozinho e não encosta o pé na boca. Ele está em amamentação e iniciando papa salgada no almoço e frutas. As vacinas estão em dia de acordo com o calendário do Ministério da Saúde. O ganho pondero estatural está adequado, próximo da média para idade. Pega objetos, transfere de uma mão para outra e os leva até a boca. Rola, localiza o som, dá gargalhadas e duplica sílabas. Os reflexos de preensão palmar, cutâneo-plantar, de Moro e tônico-cervical estão ausentes. Ele apresenta hipotonia dos membros e aproxima os pés da boca, embora ainda não consiga tocá-la com os pés. Pedro é filho de Sandra e Rogério. Ambos formados em arquitetura. Tem uma irmã de 6 anos. A rotina de acompanhamento de puericultura do serviço de saúde para crianças até 1 ano de idade envolve consultas na primeira semana de vida e com 1, 2, 4, 6, 9 e 12 meses. A conduta mais adequada, diante da preocupação da mãe, é:
Lactente de 6 meses com hipotonia e ausência de reflexos primitivos, mesmo com outros marcos presentes, requer investigação e estimulação.
Embora Pedro apresente alguns marcos de desenvolvimento adequados para 6 meses (pega objetos, rola, vocaliza), a hipotonia dos membros e a ausência de reflexos primitivos (que deveriam estar presentes ou em processo de integração) são sinais de alerta importantes. A conduta inicial deve ser orientar estimulação e reavaliar em curto prazo para monitorar a evolução.
O desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM) é um processo complexo e contínuo, fundamental para a aquisição de habilidades motoras, cognitivas, sociais e de linguagem. A puericultura desempenha um papel crucial no monitoramento desse desenvolvimento, identificando precocemente desvios e permitindo intervenções oportunas. Aos 6 meses, o lactente está em uma fase de grandes aquisições, como rolar, manipular objetos e iniciar a vocalização de sílabas. A avaliação do DNPM envolve a observação dos marcos de desenvolvimento, a presença e integração dos reflexos primitivos e o tônus muscular. No caso de Pedro, embora ele apresente alguns marcos adequados para a idade, a hipotonia dos membros e a ausência dos reflexos de preensão palmar, cutâneo-plantar, Moro e tônico-cervical são sinais de alerta importantes. Esses reflexos deveriam estar presentes ou em processo de integração/desaparecimento, e sua ausência ou persistência pode indicar uma disfunção neurológica subjacente. Diante desses achados, a conduta mais adequada não é apenas tranquilizar a mãe ou encaminhar imediatamente para neuroimagem, mas sim orientar a estimulação do bebê e agendar um retorno em curto prazo (15 a 30 dias) para reavaliar a evolução. Isso permite monitorar de perto o desenvolvimento, observar a resposta à estimulação e, se os sinais persistirem ou piorarem, então considerar uma investigação neurológica mais aprofundada. A estimulação precoce é fundamental para otimizar o potencial de desenvolvimento da criança.
Aos 6 meses, espera-se que o bebê role, transfira objetos de uma mão para outra, leve objetos à boca, localize sons, dê gargalhadas e comece a duplicar sílabas. Sentar com apoio é comum, e sentar sozinho está em desenvolvimento.
A presença e a integração dos reflexos primitivos (como preensão palmar e Moro) são indicadores importantes da integridade neurológica. A persistência além do esperado ou a ausência precoce podem ser sinais de alerta para disfunções neurológicas.
A hipotonia dos membros em um lactente de 6 meses, especialmente quando associada à ausência de reflexos primitivos que deveriam estar presentes ou em processo de integração, é um sinal de alerta significativo que justifica investigação e acompanhamento neurológico.
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