PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2019
Homem de 48 anos queixa-se de fraqueza generalizada e dispneia. Ao exame físico, ausculta-se desdobramento da segunda bulha que é constante, mas aumenta quando o paciente inspira. O ritmo cardíaco é regular, a primeira bulha é normal e não há sopros. Qual das seguintes alterações eletrocardiográficas é MAIS COMPATÍVEL com os achados auscultatórios observados no paciente?
Desdobramento constante B2 que aumenta na inspiração + ausência de sopros = Bloqueio de Ramo Direito (BRD).
O desdobramento da segunda bulha (B2) ocorre devido ao fechamento assincrônico das valvas aórtica (A2) e pulmonar (P2). Um desdobramento constante que aumenta na inspiração, na ausência de sopros, é altamente sugestivo de Bloqueio de Ramo Direito (BRD), que retarda a despolarização e contração do ventrículo direito, atrasando o fechamento da valva pulmonar.
A ausculta cardíaca é uma ferramenta diagnóstica fundamental na cardiologia, e a análise da segunda bulha (B2) pode fornecer informações valiosas sobre a função ventricular e valvular. A B2 é composta pelo fechamento das valvas aórtica (A2) e pulmonar (P2). O desdobramento fisiológico da B2 ocorre na inspiração devido ao aumento do retorno venoso ao ventrículo direito, que retarda o fechamento da valva pulmonar. No entanto, um desdobramento constante, que se acentua na inspiração, na ausência de sopros, sugere uma patologia que atrasa a ejeção do ventrículo direito. O Bloqueio Completo do Ramo Direito (BRD) é uma das causas mais comuns de desdobramento patológico da B2. No BRD, a condução elétrica para o ventrículo direito é retardada, resultando em uma despolarização e contração mais lentas deste ventrículo. Isso atrasa o fechamento da valva pulmonar (P2) em relação ao fechamento da valva aórtica (A2), criando um desdobramento audível. A inspiração, ao aumentar o volume sanguíneo no ventrículo direito, prolonga ainda mais o tempo de ejeção, acentuando o desdobramento. O diagnóstico de BRD é confirmado por eletrocardiograma, que mostra um padrão rSR' ou RSR' em V1-V2 e ondas S alargadas em V5-V6 e D1, com duração do QRS maior que 0,12 segundos. Embora o BRD isolado possa ser benigno, ele também pode estar associado a doenças cardíacas estruturais, como cardiopatia isquêmica, hipertensão pulmonar, embolia pulmonar ou comunicação interatrial. A avaliação clínica completa, incluindo ecocardiograma, é importante para determinar a causa subjacente e o prognóstico do paciente.
Existem três tipos principais: fisiológico (varia com a respiração), fixo (não varia, comum na CIA) e paradoxal (fecha na inspiração, abre na expiração, comum em estenose aórtica grave ou BRE). O desdobramento constante que aumenta na inspiração é uma variação do fisiológico, mas mais pronunciado e patológico, como no BRD.
No BRD, a ativação elétrica do ventrículo direito é atrasada, levando a um retardo na sua contração e, consequentemente, no fechamento da valva pulmonar (P2). Isso faz com que P2 ocorra após A2, criando o desdobramento. A inspiração aumenta o retorno venoso ao VD, prolongando ainda mais seu esvaziamento e acentuando o desdobramento.
Além do BRD, outras causas incluem sobrecarga de volume do ventrículo direito (ex: comunicação interatrial, insuficiência tricúspide), estenose pulmonar e hipertensão pulmonar (embora esta última possa causar um P2 mais intenso e precoce, ou até único se grave).
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