Desconforto Respiratório Neonatal: Manejo com CPAP e FiO2 21%

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025

Enunciado

RN de 35 semanas recebeu reanimação neonatal em sala de parto com dois ciclos de ventilação pulmonar com pressão positiva. AP: pré-eclâmpsia materna, parto cesáreo. Exame físico aos 12 minutos de vida: desconforto respiratório com batimento de aleta nasal moderada, tiragem intercostal e subdiafragmática, murmúrio vesicular presente bilateralmente e gemência expiratória, SatO₂: 94%, FC: 140 bpm, FR: 60 irpm, Tax: 36,6 ºC.A conduta inicial envolve

Alternativas

  1. A) oferta de oxigênio inalatório para obter SatO₂ acima de 95%.
  2. B) cateter nasal de oxigênio 1-2 L/min e início de antibióticos na primeira hora de vida.
  3. C) suporte respiratório com CPAP, com concentração de oxigênio a 21%.
  4. D) CPAP nasal com concentração de oxigênio a 30% e aumento da temperatura do berço de reanimação.

Pérola Clínica

RN prematuro com desconforto respiratório pós-VPP → CPAP com FiO2 21% (ar ambiente) inicial.

Resumo-Chave

Em recém-nascidos prematuros com desconforto respiratório após reanimação com VPP, a conduta inicial é o suporte respiratório com CPAP. A concentração de oxigênio deve ser iniciada em 21% (ar ambiente) e titulada conforme a oximetria, evitando hiperoxia.

Contexto Educacional

O manejo do desconforto respiratório em recém-nascidos, especialmente prematuros, é um pilar fundamental da neonatologia. O caso clínico apresenta um RN de 35 semanas com sinais claros de desconforto respiratório após reanimação inicial. A prematuridade é um fator de risco significativo para a Síndrome do Desconforto Respiratório (SDR) devido à deficiência de surfactante, mas outras causas como taquipneia transitória do recém-nascido (TTRN) também devem ser consideradas. A conduta inicial para um RN prematuro com desconforto respiratório que já recebeu ventilação com pressão positiva (VPP) e apresenta boa frequência cardíaca e saturação de oxigênio aceitável (94% aos 12 minutos é um bom sinal, considerando o alvo para prematuros) é o suporte respiratório não invasivo. O CPAP (Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas) é a modalidade de escolha, pois ajuda a manter os alvéolos abertos, melhora a oxigenação e reduz o trabalho respiratório. A concentração de oxigênio (FiO2) deve ser iniciada com ar ambiente (21%) e titulada conforme a oximetria de pulso, visando manter a saturação dentro dos alvos recomendados para a idade gestacional. Evitar a hiperoxia é crucial em prematuros devido aos riscos de retinopatia da prematuridade e displasia broncopulmonar. A opção C reflete a abordagem mais segura e baseada em evidências para iniciar o suporte respiratório nesse cenário.

Perguntas Frequentes

Quando indicar CPAP em recém-nascidos com desconforto respiratório?

O CPAP é indicado para recém-nascidos com desconforto respiratório moderado a grave, que mantêm respiração espontânea, mas apresentam taquipneia, gemência, tiragem e/ou cianose.

Qual a concentração inicial de oxigênio para CPAP em RN prematuros?

A concentração inicial de oxigênio para CPAP em RN prematuros com desconforto respiratório deve ser de 21% (ar ambiente), titulada conforme a saturação de oxigênio alvo para a idade gestacional.

Quais são os riscos da hiperoxia em recém-nascidos prematuros?

A hiperoxia em prematuros pode levar a lesões pulmonares (displasia broncopulmonar), retinopatia da prematuridade e lesões cerebrais, sendo crucial a titulação cuidadosa do oxigênio.

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