Descompensação Hepática: Causas e Manejo Inicial

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente feminina, com doença hepática crônica de etiologia alcoólica, compensada previamente, procura serviço de saúde por apresentar aumento do volume abdominal de início há uma semana e edema de membros inferiores. Refere que abandonou seguimento com seu médico hepatologista há pelo menos 1 ano, sem ter exames recentes. Não faz uso de nenhuma medicação continua e afirma estar ingerindo, pelo menos, 2 latas de cerveja ao dia. Nega alterações do sono, nega hematêmese ou melena.Em relação ao quadro descrito acima, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Para avaliar a função hepática, é importante avaliarmos os níveis de AST e ALT.
  2. B) A ascite deve ser sempre puncionada quando possível e os níveis de albumina do líquido e no sangue devem ser dosados. Nesse caso, esperamos que o GASA seja < 1,1 e níveis de proteína do líquido ascítico seja inferior a 2,5 g.
  3. C) Trombose de veia porta e carcinoma hepatocelular podem ser causas de descompensação da hepatopatia.
  4. D) Devemos já iniciar restrição hídrica para tratamento de ascite.

Pérola Clínica

Descompensação hepática → investigar causas como trombose de veia porta e CHC, além de reativação etílica.

Resumo-Chave

Em pacientes com doença hepática crônica compensada que descompensam subitamente com ascite e edema, é crucial investigar fatores precipitantes. Trombose de veia porta e carcinoma hepatocelular são causas importantes de descompensação que exigem diagnóstico e manejo específicos, além da reavaliação da etiologia e adesão ao tratamento.

Contexto Educacional

A descompensação hepática em pacientes com doença hepática crônica, como a cirrose alcoólica, é um evento grave que marca a progressão da doença e está associada a pior prognóstico. As principais manifestações incluem ascite, encefalopatia hepática, hemorragia varicosa e icterícia. É crucial identificar os fatores precipitantes para um manejo adequado e oportuno. A avaliação inicial de um paciente com ascite deve incluir a paracentese diagnóstica para análise do líquido ascítico, incluindo contagem celular, cultura, proteínas e albumina para cálculo do GASA. O GASA é o principal indicador para diferenciar ascite por hipertensão portal (GASA ≥ 1,1 g/dL) de outras causas. Além disso, é imperativo investigar causas secundárias de descompensação, como infecções (peritonite bacteriana espontânea), sangramento gastrointestinal, uso de nefrotóxicos e, como destacado na questão, trombose de veia porta e carcinoma hepatocelular. O tratamento da ascite por cirrose envolve restrição de sódio, diuréticos (espironolactona e furosemida), e em casos refratários, paracentese de grande volume ou TIPS. A identificação de trombose de veia porta ou CHC requer abordagens específicas, como anticoagulação ou tratamento oncológico, respectivamente. A reavaliação do consumo de álcool e a adesão ao tratamento são fundamentais para o manejo a longo prazo e a prevenção de novas descompensações.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de descompensação hepática em um paciente cirrótico?

Os sinais de descompensação hepática incluem ascite de novo início ou piora, edema de membros inferiores, encefalopatia hepática, hemorragia varicosa e icterícia.

Por que a trombose de veia porta e o carcinoma hepatocelular podem descompensar a hepatopatia?

A trombose de veia porta aumenta a hipertensão portal, piorando a ascite e o risco de sangramento. O CHC, além de ser uma massa ocupante, pode comprometer a função hepática residual e induzir descompensação.

Qual a importância do GASA na avaliação da ascite?

O GASA (Gradiente Albumina Soro-Ascite) é fundamental para diferenciar a ascite por hipertensão portal (GASA ≥ 1,1 g/dL) de outras causas (GASA < 1,1 g/dL), guiando a investigação etiológica.

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