USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025
Primigesta, 18 anos de idade, comparece ao pré-natal com 33 semanas de gravidez. Refere falta de ar para a rotina domiciliar, sente-se cansada o tempo todo. Ultimamente, com mais dificuldade para dormir. Boa movimentação fetal, mas tem contrações dolorosas há 3 horas. Ao exame físico, apresentou-se descorada 1+/4+, FR de 18 ipm, FC de 118 bpm, saturação de O₂ de 94%, PA de 130x90 mmHg. Sopro diastólico mitral 3+/6+ com reforço pré-sistólico, sopro sistólico aórtico 2+/6+ sem irradiações. Ausculta pulmonar com estertores e sibilos esparsos. Edema membros inferiores 2+/4+. Abdome gravídico, AU 30 cm, BCF+, dinâmica 3 contrações fracas em 10 minutos. Colo médio posterior, 4 cm de dilatação, bolsa íntegra, cefálico.A escolha terapêutica imediata é:
Gestante 33s + dispneia + estertores + FC ↑ + edema + PA ↑ = Descompensação cardíaca/Edema agudo de pulmão. Conduta imediata: Furosemida.
A paciente apresenta sinais e sintomas de descompensação cardíaca e congestão pulmonar (dispneia, estertores, taquicardia, edema, PA elevada), provavelmente exacerbados pela gravidez e contrações. A conduta imediata para aliviar a congestão e melhorar a oxigenação é a administração de furosemida, um diurético de alça.
A gravidez impõe uma sobrecarga significativa ao sistema cardiovascular, aumentando o volume sanguíneo, o débito cardíaco e a frequência cardíaca. Em pacientes com cardiopatias preexistentes, essa sobrecarga pode levar à descompensação cardíaca, sendo o edema agudo de pulmão uma emergência obstétrica grave. A fisiopatologia envolve o aumento da volemia e do débito cardíaco na gravidez, que em um coração já comprometido (sopro diastólico mitral, sopro sistólico aórtico) pode levar à falência cardíaca e congestão pulmonar. O diagnóstico é clínico, com base nos sintomas e sinais de insuficiência cardíaca. A conduta imediata visa estabilizar a mãe. A furosemida é crucial. Outras medidas incluem oxigenoterapia, monitorização e, se necessário, considerar o parto após estabilização materna. O prognóstico depende da causa subjacente da cardiopatia e da resposta ao tratamento. Pontos de atenção incluem a monitorização fetal e a avaliação da etiologia da cardiopatia.
Incluem dispneia progressiva, ortopneia, tosse, estertores pulmonares, edema periférico, taquicardia e, em casos graves, hipotensão ou choque. A presença de sopros cardíacos pode indicar cardiopatia preexistente.
A furosemida é um diurético potente que rapidamente reduz a pré-carga cardíaca e a congestão pulmonar, aliviando a dispneia e melhorando a oxigenação em quadros de edema agudo de pulmão, sendo segura na gravidez quando indicada.
A dispneia fisiológica é geralmente leve, não progressiva e não acompanhada de outros sinais de insuficiência cardíaca, como estertores, ortopneia, taquicardia desproporcional ou edema significativo, que indicam patologia.
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