CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2012
Pode-se afirmar sobre pacientes com sintomas de descolamento agudo de vítreo posterior:
Sintomas de DVP agudo → 15-20% de risco de rotura retiniana concomitante.
O descolamento de vítreo posterior (DVP) é um processo degenerativo comum, mas quando agudo e sintomático, exige mapeamento de retina imediato devido ao alto risco de roturas.
O descolamento do vítreo posterior ocorre devido à liquefação do gel vítreo (sinérese) e ao colapso da sua estrutura (sinquise). Com a idade, o vítreo se separa da retina neurossensorial. Na maioria das vezes, essa separação é inócua. Contudo, em locais onde a adesão vítreo-retiniana é mais firme (como na base vítrea, vasos ou cicatrizes), a separação pode causar tração e rasgar a retina. Clinicamente, a distinção entre um DVP isolado e um DVP com rotura é impossível apenas pela anamnese. A presença de pigmento no vítreo anterior (sinal de Shaffer ou 'pó de fumo') é altamente sugestiva de rotura retiniana. O manejo padrão ouro envolve a fundoscopia sob midríase para garantir que nenhuma rotura passe despercebida, evitando a progressão para um descolamento de retina regmatogênico.
Em pacientes que apresentam sintomas agudos de descolamento de vítreo posterior, como fotopsias e moscas volantes, a incidência de roturas retinianas concomitantes é de aproximadamente 15% a 20%. Se houver hemorragia vítrea associada, esse risco sobe drasticamente para cerca de 70%. Por isso, todo paciente com DVP agudo sintomático deve ser submetido a um exame de mapeamento de retina com depressão escleral para descartar soluções de continuidade na periferia retiniana.
Os sintomas clássicos incluem o aparecimento súbito de moscas volantes (miodesopsias), que são sombras móveis no campo visual causadas por condensações vítreas, e fotopsias (flashes de luz), resultantes da tração vítreo-retiniana. A percepção de uma 'teia de aranha' ou um anel de Weiss (fragmento do anel peripapilar) também é característica do descolamento completo do vítreo posterior da cabeça do nervo óptico.
O descolamento de vítreo posterior em si é um evento fisiológico do envelhecimento ocular e não requer tratamento cirúrgico. No entanto, as complicações decorrentes dele, como roturas retinianas, exigem tratamento imediato (geralmente fotocoagulação a laser) para prevenir o descolamento de retina. A cirurgia (vitrectomia) só é indicada se houver complicações graves como descolamento de retina instalado ou hemorragia vítrea persistente.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo