Tratamento do Descolamento Tracional de Retina Diabético

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2010

Enunciado

Sobre o tratamento do descolamento tracional de retina do diabético:

Alternativas

  1. A) Está indicado quando houver tração nas arcadas temporais
  2. B) A introflexão escleral é a indicação cirúrgica de escolha
  3. C) O sucesso anatômico não garante o resultado visual
  4. D) Deixou de ser realizado pela vitrectomia e passou a ser realizado com injeção de antiangiogênicos intravítreos

Pérola Clínica

TRD diabético → Vitrectomia se mácula ameaçada; sucesso anatômico ≠ recuperação visual total.

Resumo-Chave

O descolamento tracional resulta de membranas fibrovasculares. A cirurgia visa a estabilização anatômica, mas o dano isquêmico crônico limita o ganho de acuidade visual.

Contexto Educacional

O descolamento de retina tracional (DRT) é uma complicação grave da retinopatia diabética proliferativa. Diferente do descolamento regmatogênico, o DRT é causado pela contração de membranas fibrovasculares que crescem na interface vitreorretiniana. O tratamento de escolha é a vitrectomia posterior para liberação das trações (delaminação e segmentação das membranas). Historicamente, a introflexão escleral era comum, mas hoje a vitrectomia é o padrão-ouro. É fundamental que o residente compreenda que a cirurgia é complexa e que o prognóstico visual depende da duração do descolamento macular e do status isquêmico da retina, e não apenas da reaplicação técnica do tecido.

Perguntas Frequentes

Quando a vitrectomia é indicada no descolamento tracional diabético?

A vitrectomia está indicada principalmente quando o descolamento tracional envolve ou ameaça a mácula, ou em casos de hemorragia vítrea densa persistente que impede o tratamento a laser. A presença de tração nas arcadas temporais sem envolvimento macular pode ser observada inicialmente, mas o descolamento progressivo exige intervenção para preservar a visão central.

Por que o sucesso anatômico não garante o sucesso visual?

Em pacientes diabéticos, a retina frequentemente sofre de isquemia crônica, edema macular persistente e danos fotorreceptores antes da cirurgia. Mesmo que a retina seja reaplicada cirurgicamente (sucesso anatômico), a integridade funcional das células neurossensoriais pode estar comprometida, resultando em uma acuidade visual final limitada.

Qual o risco do uso de anti-VEGF antes da cirurgia de TRD?

Embora o anti-VEGF possa ser usado no pré-operatório para reduzir o sangramento intraoperatório ao causar regressão de neovasos, ele pode induzir a contração das membranas fibrovasculares. Esse fenômeno, conhecido como 'crunch syndrome', pode transformar um descolamento tracional estável em um descolamento tracional-regmatogênico agudo.

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