CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2017
Após uma cirurgia para correção de descolamento de retina regmatogênico, as causas mais comuns de insucesso precoce (primeiros sete dias) e tardio (após 30 dias) são respectivamente:
Falha precoce na retina = rotura não tratada; Falha tardia = Proliferação Vitreorretiniana (PVR).
O insucesso precoce na cirurgia de retina geralmente é técnico (rotura não bloqueada), enquanto o insucesso tardio é biológico (PVR), causado por membranas contráteis.
O sucesso da cirurgia de descolamento de retina regmatogênico baseia-se no fechamento de todas as soluções de continuidade da retina. A persistência de uma rotura aberta (comunicação vítreo-sub-retiniana) é a razão técnica primária para a retina não 'colar' ou redescolar precocemente. A Proliferação Vitreorretiniana (PVR) representa o maior desafio da cirurgia vitreorretiniana moderna. Ela é considerada uma resposta cicatricial exagerada. Clinicamente, manifesta-se por dobras retinianas fixas, rigidez da retina e membranas epirretinianas ou sub-retinianas, exigindo reintervenções complexas para remoção dessas membranas e novo tamponamento.
O descolamento de retina regmatogênico ocorre devido a uma rotura que permite a passagem de fluido do vítreo para o espaço sub-retiniano. Se durante a cirurgia (seja retinopexia convencional ou vitrectomia) uma rotura não for identificada ou não for adequadamente selada com laser ou crioterapia, o fluxo de fluido persistirá, impedindo a colagem da retina ou causando seu redetalamento imediato nos primeiros dias pós-operatórios.
A PVR é um processo de cicatrização anômala onde células (principalmente do epitélio pigmentado da retina e glia) migram para as superfícies da retina e proliferam, formando membranas contráteis. Essas membranas exercem tração sobre a retina, causando novos descolamentos (geralmente tracionais ou combinados). É a causa mais comum de falha tardia, ocorrendo tipicamente entre 4 a 12 semanas após a cirurgia.
A prevenção do insucesso precoce depende de um mapeamento minucioso da retina periférica para localizar todas as roturas. Já a prevenção da PVR é mais complexa, pois envolve fatores biológicos e inflamatórios; técnicas cirúrgicas menos traumáticas, remoção completa do vítreo e, em alguns casos, o uso de tamponantes de longa duração (como óleo de silicone) são estratégias para manejar olhos com alto risco de PVR.
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