CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2006
Participam da patogenia do descolamento de retina regmatogênico:
Sinérese vítrea + rotura retiniana + migração de líquido → descolamento de retina regmatogênico.
O descolamento regmatogênico exige uma solução de continuidade (rotura) na retina que permita a passagem de vítreo liquefeito para o espaço sub-retiniano.
O descolamento de retina regmatogênico (DRR) é a forma mais comum de descolamento de retina e representa uma emergência oftalmológica. Sua fisiopatologia está intrinsecamente ligada às alterações degenerativas do humor vítreo. Com a idade, o vítreo perde sua consistência gelatinosa (sinérese) e se separa da retina (descolamento do vítreo posterior). Se houver áreas de adesão vítreo-retiniana anormalmente fortes, essa separação pode rasgar a retina, criando uma rotura. A presença dessa rotura é o 'regma' (do grego, ruptura). Através dela, o vítreo liquefeito ganha acesso ao espaço potencial entre a retina neurossensorial e o epitélio pigmentado. A progressão do descolamento depende do equilíbrio entre as forças de adesão (bomba metabólica do EPR, pressão oncótica) e as forças de separação (tração vítrea remanescente e fluxo de líquido). O diagnóstico precoce das roturas e do DVP sintomático é crucial para a prevenção do descolamento total via fotocoagulação a laser.
A sinérese vítrea refere-se ao processo de liquefação do corpo vítreo que ocorre com o envelhecimento. Esse processo leva à formação de lacunas líquidas e ao colapso da estrutura de colágeno, resultando frequentemente no descolamento do vítreo posterior (DVP). Quando o vítreo se separa da retina, ele pode exercer tração em pontos de maior aderência, causando roturas retinianas. O vítreo liquefeito então passa através dessas roturas para o espaço sub-retiniano, iniciando o descolamento regmatogênico.
O descolamento regmatogênico é causado obrigatoriamente por uma rotura (buraco ou rasgo) na retina neurossensorial. Já o descolamento tracional ocorre devido à presença de membranas fibrovasculares na superfície da retina (comum na retinopatia diabética proliferativa) que 'puxam' a retina para longe do epitélio pigmentado, sem que haja necessariamente uma rotura inicial. No entanto, um descolamento tracional pode evoluir para regmatogênico se a tração acabar rasgando a retina.
A migração ocorre devido a um gradiente de pressão e à dinâmica do fluxo intraocular. Uma vez que existe uma rotura na retina, o vítreo liquefeito (resultado da sinérese) é forçado através da abertura pelos movimentos oculares e pela pressão intraocular. Uma vez no espaço sub-retiniano, o líquido separa a retina neurossensorial do epitélio pigmentado da retina (EPR), superando as forças fisiológicas de bombeamento do EPR que normalmente mantêm a retina aderida.
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