Descolamento de Retina: Tipos e Tratamento Cirúrgico

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2009

Enunciado

Quanto aos descolamentos de retina, podemos afirmar:

Alternativas

  1. A) O tratamento do descolamento de retina seroso deve incluir a drenagem do líquido subretiniano
  2. B) O tratamento do descolamento de retina tracional da mácula deve incluir a cerclagem a 360 graus
  3. C) O tratamento do descolamento de retina regmatogênico deve incluir o bloqueio funcional da ruptura
  4. D) O tratamento do descolamento misto de retina tem ótimos resultados com a utilização da retinopexia pneumática

Pérola Clínica

DR regmatogênico → O tratamento mandatório é o bloqueio funcional da rotura retiniana.

Resumo-Chave

O descolamento de retina regmatogênico é causado por uma rotura que permite a passagem de fluido. O sucesso cirúrgico depende exclusivamente de selar essa rotura.

Contexto Educacional

O descolamento de retina é uma emergência oftalmológica classificada em três tipos principais: regmatogênico, tracional e exsudativo. O tipo regmatogênico é o mais comum e exige intervenção para selar a rotura causal. A técnica de cerclagem escleral utiliza um elemento de silicone para indentar a esclera em direção à rotura, reduzindo a tração vítrea. Já a vitrectomia via pars plana remove o vítreo, libera as trações e utiliza tamponantes internos. No DR tracional, comum na retinopatia diabética proliferativa, membranas fibrovasculares puxam a retina; o tratamento foca na dissecção dessas membranas. No DR exsudativo, a drenagem do líquido sub-retiniano só é considerada se a causa primária não puder ser controlada. O prognóstico visual depende fundamentalmente do envolvimento da mácula e do tempo de descolamento, reforçando a necessidade de diagnóstico e tratamento precoces.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença fisiopatológica entre o DR regmatogênico e o seroso?

O descolamento de retina (DR) regmatogênico é causado por uma solução de continuidade na retina (rotura ou rasgo), geralmente decorrente de um descolamento do vítreo posterior, que permite que o vítreo liquefeito penetre no espaço sub-retiniano. Já o DR seroso (ou exsudativo) ocorre sem roturas, sendo causado pelo acúmulo de fluido sob a retina devido a processos inflamatórios, infecciosos, neoplásicos ou vasculares que rompem a barreira hemato-retiniana. No regmatogênico, o tratamento é cirúrgico para fechar a rotura; no seroso, o tratamento é direcionado à causa base (ex: corticoides para uveítes).

Como funciona o bloqueio funcional da rotura no DR regmatogênico?

O bloqueio funcional consiste em criar uma adesão firme entre a retina sensorial e o epitélio pigmentado da retina (EPR) ao redor da rotura. Isso é feito através de métodos térmicos, como a criopexia (congelamento) ou a fotocoagulação a laser, que geram uma cicatriz coriorretiniana. Para que essa adesão ocorra, a retina deve estar em contato com o EPR, o que pode exigir a aproximação das camadas via indentação escleral (cerclagem) ou o uso de tamponantes internos (gás ou óleo de silicone) durante uma vitrectomia.

Quais as indicações para retinopexia pneumática?

A retinopexia pneumática é um procedimento ambulatorial indicado para casos selecionados de DR regmatogênico. Os critérios ideais incluem: rotura única ou grupo de roturas localizadas nos 2/3 superiores da retina (entre 8 e 4 horas), ausência de vitreorretinopatia proliferativa (PVR) avançada e meios transparentes. O procedimento envolve a injeção de uma bolha de gás expansível (SF6 ou C3F8) na cavidade vítrea, seguida de posicionamento da cabeça do paciente para que a bolha tamponize a rotura, permitindo a reabsorção do líquido e posterior aplicação de laser ou criopexia.

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