PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2021
Mulher, G1 P0, 36 semanas de gestação, usuária de cocaína, chega à maternidade com sangramento vaginal abundante, instável hemodinamicamente. Ao exame físico, observa-se hipertonia uterina, batimento cardíaco fetal de 90bpm e toque vaginal com 2cm de dilatação do colo. Sobre o caso clínico, assinale a alternativa ERRADA.
DPPNI + instabilidade hemodinâmica + sofrimento fetal → estabilização materna e parto imediato. Tocolíticos são contraindicados.
Em caso de descolamento prematuro de placenta normoinserida (DPPNI) com instabilidade hemodinâmica materna e sofrimento fetal, a prioridade é a estabilização da mãe e o parto imediato. Tocolíticos como a terbutalina são contraindicados, pois podem agravar a hemorragia e mascarar a deterioração uterina.
O descolamento prematuro de placenta normoinserida (DPPNI) é uma emergência obstétrica grave, caracterizada pela separação da placenta da parede uterina antes do parto. Fatores de risco incluem hipertensão arterial, trauma abdominal, multiparidade, idade materna avançada e, notavelmente, o uso de cocaína, que causa vasoconstrição e hipertensão aguda. A condição pode levar a hemorragia materna grave, choque hipovolêmico, coagulopatia de consumo e sofrimento fetal agudo, com alta morbimortalidade. O diagnóstico é clínico, baseado na tríade de sangramento vaginal, dor abdominal e hipertonia uterina, associado a alterações da vitalidade fetal. A ultrassonografia pode auxiliar, mas não exclui o diagnóstico. A conduta imediata envolve a estabilização hemodinâmica da mãe (reposição volêmica, transfusão) e a avaliação da vitalidade fetal. Em casos de feto viável com sofrimento fetal ou instabilidade materna, o parto deve ser realizado o mais rápido possível, geralmente por cesariana. É crucial evitar tocolíticos, como a terbutalina, pois podem agravar a situação. A rotura artificial de membranas pode ser considerada para acelerar o trabalho de parto em casos selecionados, mas a prioridade é a resolução rápida da gestação. Complicações como o Útero de Couvelaire e a coagulopatia devem ser antecipadas e manejadas agressivamente para preservar a vida da mãe e do feto.
Os sinais clássicos incluem sangramento vaginal, dor abdominal súbita e intensa, hipertonia uterina (útero 'em tábua'), sofrimento fetal e, em casos graves, instabilidade hemodinâmica materna.
A terbutalina é um tocolítico que relaxa o útero. No DPPNI, o útero já está hiperativo e contraído, e o relaxamento pode piorar o sangramento e a hipóxia fetal, além de atrasar a conduta definitiva que é o parto.
O Útero de Couvelaire é uma complicação grave do DPPNI, caracterizada pela infiltração de sangue no miométrio, tornando o útero edemaciado e de coloração arroxeada. Indica um descolamento extenso e aumenta o risco de atonia uterina pós-parto e hemorragia.
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