FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2023
O descolamento prematuro de placenta normalmente inserida (DPPNI) representa causa significativa de morbimortalidade materna e perinatal. A taxa de mortalidade perinatal é aproximadamente 20 vezes maior em relação às gestações sem DPP (12% versus 0,6%, respectivamente). A maioria das mortes perinatais (até 77%) ocorre intraútero. É a prematuridade a principal causa de mortalidade pós-natal. Cumpre-nos frente a um sangramento da segunda metade da gravidez
DPPNI: Síndromes hipertensivas são o principal fator de risco, aumentando o risco em 5x, e anti-hipertensivos não reduzem esse risco.
O Descolamento Prematuro de Placenta Normalmente Inserida (DPPNI) é uma emergência obstétrica grave. As síndromes hipertensivas, como pré-eclâmpsia e hipertensão crônica, são o fator de risco mais consistentemente associado, aumentando significativamente a chance de DPPNI, independentemente do controle pressórico com medicação.
O Descolamento Prematuro de Placenta Normalmente Inserida (DPPNI) é uma das emergências obstétricas mais temidas, caracterizada pela separação da placenta da parede uterina antes do nascimento do feto. Representa uma causa significativa de morbimortalidade materna e perinatal, com taxas de mortalidade fetal elevadas, principalmente devido à asfixia intrauterina e prematuridade. O reconhecimento precoce e o manejo rápido são cruciais para tentar melhorar os desfechos. A fisiopatologia do DPPNI frequentemente envolve a ruptura de vasos sanguíneos na decídua basal, levando à formação de um hematoma retroplacentário que progressivamente separa a placenta do útero. Dentre os fatores de risco, as síndromes hipertensivas (hipertensão crônica, pré-eclâmpsia, eclampsia) são as mais proeminentes, aumentando o risco de DPPNI em até cinco vezes. Acredita-se que a doença vascular subjacente associada à hipertensão predisponha a essa ruptura vascular, e a terapia anti-hipertensiva, embora controle a pressão arterial, não parece mitigar esse risco de descolamento. O diagnóstico do DPPNI é primariamente clínico, baseado na tríade de sangramento vaginal (geralmente escuro), dor abdominal intensa e hipertonia uterina. A ultrassonografia pode auxiliar na identificação do hematoma retroplacentário, mas um exame normal não exclui o diagnóstico. O manejo envolve a estabilização materna, monitorização fetal e, na maioria dos casos, a interrupção da gestação pela via mais rápida, que frequentemente é a cesariana, especialmente se houver comprometimento fetal ou instabilidade materna. Complicações maternas incluem choque hipovolêmico, coagulopatia de consumo (CIVD) e insuficiência renal aguda.
A principal causa de morbimortalidade materna e perinatal no DPPNI está relacionada à hemorragia grave, coagulopatia (CIVD) e choque hipovolêmico para a mãe, e à asfixia fetal e prematuridade para o feto, resultando em alta taxa de mortalidade intrauterina e pós-natal.
Os principais fatores de risco incluem síndromes hipertensivas (pré-eclâmpsia, hipertensão crônica), trauma abdominal, tabagismo, uso de cocaína, multiparidade, idade materna avançada, ruptura prematura de membranas e história prévia de DPPNI.
As síndromes hipertensivas causam alterações vasculares na placenta, como arteriopatia decidual e trombose, que levam à fragilidade dos vasos e à ruptura, resultando em hemorragia retroplacentária e descolamento. Mesmo com terapia anti-hipertensiva, o risco de DPPNI permanece elevado devido às alterações vasculares subjacentes.
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