Descolamento Prematuro de Placenta: Diagnóstico e Manejo

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 26 anos de idade, primigesta, com 37 semanas de gestação, sem patologias ou procedimentos cirúrgicos prévios, chega ao pronto socorro obstétrico com dor abdominal súbita persistente e intensa, sangramento vaginal, dor durante a palpação uterina, acompanhada de hipertonia uterina. Ao exame físico: feto com apresentação de fronte, colo com 9 cm de dilatação no plano zero de DeLee, bolsa rota, ausculta fetal 100 bpm, pressão arterial materna 100x60mmHg, dinâmica uterina presente (7 contrações fortes em 10 minutos). Diante do quadro clínico exposto, a melhor conduta é:

Alternativas

  1. A) a hipótese principal é de placenta prévia. Mesmo que o parto vaginal esteja iminente, para o caso em questão está indicada cesárea.
  2. B) a hipótese principal é de descolamento prematuro de placenta. Para o caso em questão existe indicação absoluta de cesárea.
  3. C) a hipótese principal é de rotura uterina. Está indicada laparotomia exploradora de urgência devido a alteração de vitalidade materna e fetal.
  4. D) a hipótese principal é de taquissistolia. Devido a cervicodilatação avançada, está indicado o parto pela via mais rápida (parto vaginal).
  5. E) a hipótese principal é de rotura de vasa prévia. Está indicada aplicação de fórcipe de Simpson para alívio de período expulsivo.

Pérola Clínica

DPP = dor abdominal súbita + sangramento + hipertonia uterina + sofrimento fetal → Cesariana de urgência.

Resumo-Chave

O descolamento prematuro de placenta (DPP) é uma emergência obstétrica caracterizada por sangramento, dor abdominal e hipertonia uterina. A bradicardia fetal (100 bpm) e a dinâmica uterina intensa (taquissistolia) indicam sofrimento fetal agudo, tornando a cesariana a conduta de escolha para preservar a vida fetal e materna.

Contexto Educacional

O descolamento prematuro de placenta (DPP) é uma das emergências obstétricas mais graves, afetando cerca de 0,5% a 1% das gestações. Caracteriza-se pela separação parcial ou total da placenta da parede uterina antes do parto, após a 20ª semana de gestação. É uma condição de alta morbimortalidade materna e perinatal, sendo crucial para residentes reconhecerem seus sinais rapidamente. A fisiopatologia envolve a ruptura de vasos deciduais, levando à formação de um hematoma retroplacentário que causa a separação. Os fatores de risco incluem hipertensão arterial, pré-eclâmpsia, tabagismo, uso de cocaína, trauma abdominal e multiparidade. O diagnóstico é clínico, baseado na tríade de dor abdominal súbita, sangramento vaginal e hipertonia uterina, frequentemente acompanhada de sofrimento fetal. O tratamento é determinado pela gravidade do quadro e pela condição materno-fetal. Em casos de DPP grave com sofrimento fetal agudo ou instabilidade hemodinâmica materna, a cesariana de urgência é a conduta de escolha. A estabilização materna, incluindo acesso venoso, hidratação e monitorização, é prioritária, e a equipe deve estar preparada para transfusão sanguínea e manejo de coagulopatias.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos clássicos do descolamento prematuro de placenta?

Os sinais clássicos incluem dor abdominal súbita e intensa, sangramento vaginal escuro, hipertonia uterina (útero "em tábua") e, frequentemente, sinais de sofrimento fetal como bradicardia.

Qual a conduta inicial em caso de suspeita de descolamento prematuro de placenta com sofrimento fetal?

A conduta inicial é a estabilização materna, monitorização fetal contínua e, se houver sofrimento fetal ou instabilidade materna, a cesariana de urgência é a via de parto preferencial.

Como diferenciar descolamento prematuro de placenta de placenta prévia?

A DPP causa dor intensa, útero hiperativo e sangramento escuro, muitas vezes com sofrimento fetal. A placenta prévia, por outro lado, geralmente se manifesta com sangramento vaginal indolor e vermelho vivo, sem hipertonia uterina.

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