UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2020
Primigesta com 32 semanas de gestação foi levada ao Centro Obstétrico, há 3 horas, por pequeno sangramento vaginal e útero muito contraído. O pré-natal transcorrera sem anormalidades. À admissão, a pressão arterial era de 160/80 mmHg. Os batimentos cardiofetais revelaram bradicardia persistente e, ao toque vaginal, o colo tinha 1 cm de dilatação. Antes da realização de cesariana, que exame, dentre os abaixo, será imprescindível?
Em DPP grave com sangramento e sofrimento fetal, o teste do coágulo é crucial para avaliar coagulopatia de consumo.
O quadro clínico de sangramento vaginal, útero contraído e bradicardia fetal é altamente sugestivo de Descolamento Prematuro de Placenta (DPP) grave. Nesses casos, a coagulopatia de consumo (CIVD) é uma complicação séria, e o teste do coágulo (Teste de Weiner) é um método rápido e simples para avaliar a capacidade de coagulação antes de uma cirurgia de emergência.
O Descolamento Prematuro de Placenta (DPP) é uma emergência obstétrica grave, caracterizada pela separação da placenta da parede uterina antes do nascimento do feto. É uma das principais causas de hemorragia no terceiro trimestre, sofrimento fetal agudo e morbimortalidade materna e perinatal. O quadro clínico típico envolve sangramento vaginal, dor abdominal, hipertonia uterina e alterações na frequência cardíaca fetal. Uma das complicações mais temidas do DPP grave é a coagulopatia de consumo, ou Coagulação Intravascular Disseminada (CIVD), que pode levar a hemorragias incontroláveis e comprometer a vida materna. Nesses casos, a avaliação rápida da capacidade de coagulação é crucial antes de qualquer intervenção cirúrgica. O teste do coágulo (Teste de Weiner) é uma ferramenta simples, rápida e de baixo custo, que pode ser realizada à beira do leito, fornecendo informações vitais sobre a presença de coagulopatia grave em poucos minutos. Diante de um quadro sugestivo de DPP grave com sofrimento fetal e risco de coagulopatia, a prioridade é estabilizar a paciente, avaliar a coagulação e proceder ao parto de emergência, geralmente por cesariana. A realização do teste do coágulo é imprescindível para guiar a conduta transfusional e o manejo da coagulopatia, garantindo a segurança materna durante o procedimento cirúrgico e no pós-operatório imediato. A compreensão e a aplicação correta deste teste são essenciais para residentes em obstetrícia.
Os sinais clássicos de DPP incluem sangramento vaginal escuro, dor abdominal intensa e súbita, hipertonia uterina (útero 'em tábua'), sofrimento fetal (alterações da frequência cardíaca fetal) e, em casos graves, sinais de choque hipovolêmico materno e coagulopatia.
O teste do coágulo é realizado coletando-se 5 mL de sangue venoso em um tubo seco e observando-se a formação de um coágulo firme em até 8-10 minutos. A ausência de coágulo ou a formação de um coágulo frágil e que se desfaz indica uma coagulopatia grave, como a coagulação intravascular disseminada (CIVD).
A coagulopatia é uma preocupação em DPP grave devido à liberação de tromboplastina placentária para a circulação materna, que ativa a cascata de coagulação de forma descontrolada, levando ao consumo de fatores de coagulação e plaquetas (CIVD), resultando em hemorragias incontroláveis.
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