HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2022
rimigesta no terceiro trimestre da gestação caiu da escada e sofreu um trauma abdominal. Após o evento, apresentou sangramento genital escuro, associado a dor abdominal de forte intensidade. Ao exame obstétrico, foi evidenciada hipertonia uterina e bradicardia fetal. Qual é a hipótese diagnóstica?
Trauma abdominal + sangramento escuro + dor forte + hipertonia uterina + bradicardia fetal → Descolamento Prematuro de Placenta (DPP).
O descolamento prematuro de placenta (DPP) é uma emergência obstétrica caracterizada pela separação da placenta da parede uterina antes do parto. O trauma abdominal é um fator de risco importante, e a tríade clássica inclui sangramento vaginal (geralmente escuro), dor abdominal intensa e hipertonia uterina, frequentemente associada a sofrimento fetal.
O Descolamento Prematuro de Placenta (DPP) é uma das emergências obstétricas mais graves, caracterizada pela separação total ou parcial da placenta normalmente inserida após a 20ª semana de gestação e antes do nascimento do feto. Sua incidência varia, mas é uma causa importante de morbimortalidade materna e perinatal. O trauma abdominal, mesmo que leve, é um fator de risco significativo, especialmente no terceiro trimestre. A fisiopatologia envolve a ruptura de vasos maternos na decídua basal, levando à formação de um hematoma retroplacentário que causa a separação. Clinicamente, o DPP manifesta-se com sangramento vaginal (geralmente escuro, pois o sangue fica retido), dor abdominal súbita e intensa, hipertonia uterina (útero "em tábua") e, frequentemente, sinais de sofrimento fetal, como bradicardia ou taquicardia fetal e perda de variabilidade. O diagnóstico é clínico, embora a ultrassonografia possa auxiliar na identificação do hematoma retroplacentário. O manejo é uma emergência, focando na estabilização materna (reposição volêmica, transfusão) e na interrupção da gestação, geralmente por cesariana, para salvar a vida do feto e prevenir complicações maternas como coagulopatia de consumo (CIVD) e insuficiência renal aguda.
Além do trauma abdominal, outros fatores de risco incluem hipertensão arterial crônica ou pré-eclâmpsia, tabagismo, uso de cocaína, idade materna avançada, multiparidade, história prévia de DPP e polidramnio.
O DPP se manifesta com sangramento escuro, dor abdominal intensa e hipertonia uterina, frequentemente com sofrimento fetal. A placenta prévia causa sangramento vivo, indolor e sem hipertonia uterina, geralmente sem sofrimento fetal agudo.
A conduta inicial é a estabilização hemodinâmica materna, monitorização fetal contínua e avaliação rápida para interrupção da gestação, geralmente por cesariana, dependendo da idade gestacional e do estado materno-fetal.
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