MedEvo Simulado — Prova 2026
Beatriz, 32 anos, multípara (G3P2, dois partos vaginais anteriores), com 36 semanas de gestação, é trazida ao pronto-socorro com queixa de dor abdominal súbita e intensa há cerca de 40 minutos, acompanhada de pequena perda de sangue escurecido via vaginal. Ao exame físico, apresenta-se taquicárdica (FC 112 bpm), com pressão arterial de 150/100 mmHg. O exame obstétrico revela útero com tônus aumentado (hipertonia), extremamente doloroso à palpação, e batimentos cardiofetais (BCF) mantidos em 100-105 bpm. Ao toque vaginal, o colo apresenta 4 cm de dilatação, 80% de esvaecimento, com membranas íntegras e apresentação cefálica no plano -1 de De Lee. Foram solicitados exames laboratoriais de urgência, cujos resultados estão dispostos na tabela abaixo: | Exame | Resultado | Valor de Referência | | :--- | :--- | :--- | | Hemoglobina | 9,2 g/dL | 11,0 - 14,0 g/dL | | Plaquetas | 115.000/mm³ | 150.000 - 450.000/mm³ | | Fibrinogênio | 145 mg/dL | 200 - 400 mg/dL | | Tempo de Protrombina (TAP) | 17 segundos | 11 - 13,5 segundos | | RNI | 1,5 | Até 1,2 | Diante do diagnóstico de descolamento prematuro de placenta (DPP), a conduta imediata mais adequada para o caso é:
Dor abdominal súbita + Hipertonia uterina + Sangramento escuro = DPP. Se feto vivo e sofrimento, Cesariana imediata.
O DPP é uma emergência obstétrica definida pelo descolamento da placenta antes do nascimento. A presença de hipertonia e bradicardia fetal indica necessidade de interrupção rápida via cesariana.
O Descolamento Prematuro de Placenta (DPP) é a separação da placenta da parede uterina após 20 semanas de gestação. Clinicamente, manifesta-se com dor abdominal súbita, sangramento vaginal e hipertonia uterina. O diagnóstico é clínico; a ultrassonografia tem baixa sensibilidade. No caso apresentado, a paciente possui sinais de pré-eclâmpsia, hipertonia e sofrimento fetal (bradicardia), além de consumo de fibrinogênio. A conduta padrão para feto vivo com sofrimento é a cesariana de emergência após estabilização inicial.
Os principais fatores de risco incluem síndromes hipertensivas (pré-eclâmpsia e hipertensão crônica), tabagismo, uso de cocaína, trauma abdominal, idade materna avançada e rotura prematura de membranas. A hipertensão é o fator etiológico mais comum associado ao DPP.
O parto vaginal pode ser considerado se o feto estiver morto (estabilidade materna permitindo) ou se o parto for iminente (expulsivo) com feto vivo e estabilidade. A amniotomia é mandatória no DPP para reduzir a pressão intrauterina e acelerar o trabalho de parto.
O DPP pode causar coagulopatia de consumo (CIVD). O manejo envolve a estabilização hemodinâmica com cristaloides e hemocomponentes (concentrado de hemácias, plasma fresco congelado, crioprecipitado se fibrinogênio < 150 mg/dL) e a interrupção rápida da gestação.
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