DPP: Fatores de Risco, Complicações e Manejo Urgente

HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Com relação ao descolamento prematuro de placenta, assinale a opção que representa as afirmações CORRETAS: I - São fatores de risco: uso de cocaína e mutação dos genes para fator V de Leiden II - A via de parto indicada é sempre a cesariana, para evitar coagulopatia, que se instala em menos de 2 horas III - Os casos com hemorragia oculta têm maior risco de apresentar Útero de Couvelaire IV - A hidratação deve ser agressiva em virtude do risco de choque hipovolêmico precoce.

Alternativas

  1. A) I, II e III
  2. B) I e III
  3. C) II e IV
  4. D) I e IV
  5. E) II e III

Pérola Clínica

DPP: Fatores de risco incluem cocaína e trombofilias (Fator V Leiden); hemorragia oculta aumenta o risco de Útero de Couvelaire e CIVD.

Resumo-Chave

O DPP é uma emergência obstétrica. Fatores de risco como hipertensão, trauma, cocaína e trombofilias são cruciais. A hemorragia pode ser oculta, levando a um quadro grave de hipotensão, sofrimento fetal e coagulopatia de consumo (CIVD) com infiltração miometrial (Útero de Couvelaire).

Contexto Educacional

O Descolamento Prematuro de Placenta (DPP) é a separação da placenta da parede uterina antes do nascimento do feto, constituindo uma das mais graves emergências obstétricas. A condição está associada a alta morbimortalidade materna e perinatal, exigindo diagnóstico rápido e manejo imediato. Os principais fatores de risco incluem síndromes hipertensivas, trauma abdominal, tabagismo, uso de cocaína e trombofilias, como a mutação do Fator V de Leiden. A fisiopatologia envolve a ruptura de vasos da decídua basal, formando um hematoma retroplacentário que disseca e separa a placenta. A liberação de tromboplastina tecidual do local da lesão para a circulação materna pode desencadear uma Coagulação Intravascular Disseminada (CIVD), uma complicação temida. A hemorragia pode ser externa (sangramento vaginal) ou oculta, quando o sangue fica retido atrás da placenta. Casos com hemorragia oculta são frequentemente mais graves, com maior risco de choque hipovolêmico, sofrimento fetal e infiltração hemorrágica do miométrio (Útero de Couvelaire). O manejo do DPP é centrado na estabilização hemodinâmica materna e na avaliação da vitalidade fetal. A reposição volêmica agressiva é crucial para prevenir o choque e a insuficiência renal. A resolução da gestação é o tratamento definitivo, e a via de parto é decidida com base na idade gestacional, na condição materna e fetal e na iminência do parto. Em fetos viáveis com sofrimento agudo ou em mães instáveis, a cesariana de emergência é a via de escolha.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clássicos do descolamento prematuro de placenta?

A tríade clássica do DPP é: sangramento vaginal de cor escura (pode estar ausente em casos de hemorragia oculta), dor abdominal súbita e intensa, e hipertonia uterina (útero 'lenhoso' ou de 'pedra'). Sofrimento fetal agudo, evidenciado pela bradicardia fetal, é um achado comum e grave.

Qual a conduta inicial diante da suspeita de DPP?

A conduta imediata é garantir a estabilidade hemodinâmica materna com dois acessos venosos calibrosos, iniciar reposição volêmica agressiva com cristaloides, solicitar exames (hemograma, coagulograma, tipagem sanguínea) e realizar monitorização contínua da mãe e do feto. O tratamento definitivo é a resolução da gestação.

O que é o Útero de Couvelaire e qual sua implicação clínica?

O Útero de Couvelaire é a apoplexia uteroplacentária, uma infiltração de sangue no miométrio que ocorre em casos graves de DPP, especialmente com hematoma retroplacentário extenso. Isso confere ao útero uma aparência equimótica e diminui sua contratilidade, aumentando o risco de atonia e hemorragia pós-parto, mas não é uma indicação absoluta de histerectomia.

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