Descolamento Prematuro de Placenta: Sangramento Oculto

Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2024

Enunciado

Gestante de 32 semanas com quadro de pré-eclâmpsia grave, dá entrada na emergência com queixa de dor de forte intensidade no abdome. Ao exame fica constatado útero “lenhoso”, sem sangramento via vaginal. O BCF está negativo no momento do atendimento. Esse tipo de descolamento prematuro de placenta pode acontecer sem sangramento externo em aproximadamente:

Alternativas

  1. A) Nunca acontece descolamento sem sangramento.
  2. B) 1 a 2 % dos casos.
  3. C) 5 % dos casos.
  4. D) 20% dos casos.

Pérola Clínica

DPP com útero lenhoso e BCF negativo → descolamento oculto, 20% dos casos.

Resumo-Chave

O descolamento prematuro de placenta (DPP) é uma emergência obstétrica grave, e a ausência de sangramento vaginal externo não exclui o diagnóstico. Em aproximadamente 20% dos casos, o sangramento fica retido atrás da placenta (hemorragia retroplacentária), resultando em um útero 'lenhoso' e dor intensa, com alto risco de óbito fetal.

Contexto Educacional

O Descolamento Prematuro de Placenta (DPP) é uma das emergências obstétricas mais temidas, caracterizada pela separação da placenta da parede uterina antes do nascimento do feto, após 20 semanas de gestação. Sua incidência varia, mas é uma causa significativa de morbimortalidade materna e perinatal. A pré-eclâmpsia grave, como no caso apresentado, é um fator de risco importante para o DPP. A fisiopatologia envolve a ruptura de vasos deciduais, levando à formação de um hematoma retroplacentário. Este hematoma pode se expandir, separando mais a placenta e comprometendo a troca gasosa e nutricional para o feto. Em aproximadamente 20% dos casos, o sangramento é oculto, ou seja, fica retido atrás da placenta, sem exteriorização vaginal. Nesses casos, a dor abdominal intensa e o útero 'lenhoso' (hipertonia uterina) são os sinais predominantes, e o sofrimento fetal ou óbito fetal são comuns devido à isquemia placentária. O diagnóstico de DPP é eminentemente clínico. A presença de dor abdominal súbita e intensa, hipertonia uterina e alterações na vitalidade fetal (bradicardia, desacelerações tardias ou ausência de BCF) em uma gestante com fatores de risco deve levantar forte suspeita. A ultrassonografia pode auxiliar, mas não é definitiva, pois um hematoma recente pode não ser visível. A conduta é a interrupção imediata da gestação, geralmente por cesariana, para salvar a vida materna e, se possível, fetal, além do manejo de complicações como choque hipovolêmico e coagulopatia.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para descolamento prematuro de placenta?

Os principais fatores de risco incluem hipertensão arterial crônica, pré-eclâmpsia, tabagismo, uso de cocaína, trauma abdominal, polidrâmnio com descompressão rápida, idade materna avançada e história prévia de DPP.

Como o descolamento prematuro de placenta sem sangramento é diagnosticado?

O diagnóstico é clínico, baseado na dor abdominal súbita e intensa, útero hipertonia ('lenhoso'), e sofrimento fetal ou óbito fetal. A ultrassonografia pode ajudar a confirmar a presença de hematoma retroplacentário, mas um ultrassom normal não exclui o diagnóstico.

Qual a conduta imediata em caso de suspeita de DPP?

A conduta imediata é a estabilização hemodinâmica materna, monitorização fetal contínua e, na maioria dos casos, a interrupção imediata da gestação, preferencialmente por cesariana, devido ao risco de óbito fetal e complicações maternas como coagulopatia.

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