UFMA/HU-UFMA - Hospital Universitário da UFMA (MA) — Prova 2020
Paciente de 25 anos, vivendo em situação de rua. Encontra-se na terceira gestação, com um parto anterior vaginal e um aborto séptico provocado. No momento com 33 semanas. Veio para atendimento obstétrico, após resgate pelo SAMU, por episódio de síncope e quadro de cólicas em baixo ventre de início há 2 horas. A mesma referiu uso de álcool e fumo na gestação. Ao exame, apresenta palidez cutânea e sudorese, pressão arterial de 100 x 40 mmHg, frequência cardíaca de 124 bpm, altura de fundo uterino de 30 cm, batimentos cardiofetais de 100 bpm e atividade uterina irregular. Exame especular mostra colo útero fechado e sangramento escuro discreto. De acordo com a anamnese e exame físico, qual o provável diagnóstico e conduta, respectivamente?
DPP com sofrimento fetal (BCF ↓) e choque materno (PA ↓, FC ↑) → resolução imediata por cesárea.
O quadro clínico de cólicas, sangramento escuro, instabilidade hemodinâmica materna (PA 100x40, FC 124) e sofrimento fetal (BCF 100) em uma gestante com fatores de risco (uso de álcool/fumo, histórico de aborto séptico) é altamente sugestivo de Descolamento Prematuro de Placenta (DPP). A gravidade do quadro materno e fetal exige a resolução imediata da gestação por via abdominal (cesárea), após estabilização inicial e preparo para transfusão.
O Descolamento Prematuro de Placenta (DPP) é uma das principais causas de hemorragia do terceiro trimestre e uma emergência obstétrica grave, com alta morbimortalidade materna e perinatal. Caracteriza-se pela separação da placenta da parede uterina antes do nascimento do feto. Fatores de risco como uso de álcool e fumo, além de histórico de aborto séptico (que pode indicar lesão uterina prévia), contribuem para a vulnerabilidade da paciente. O quadro clínico típico inclui dor abdominal súbita e intensa, sangramento vaginal (geralmente escuro), hipertonia uterina e, em casos graves, instabilidade hemodinâmica materna (choque hipovolêmico) e sofrimento fetal agudo (bradicardia fetal). A síncope e as cólicas, associadas à palidez, sudorese, hipotensão e taquicardia materna, e BCF de 100 bpm, são indicativos de um DPP grave com comprometimento materno e fetal. A conduta para DPP grave com sofrimento fetal e/ou instabilidade materna é a resolução imediata da gestação por via abdominal (parto cesáreo), após estabilização inicial da mãe (acesso venoso, hidratação, tipagem sanguínea, coagulograma e reserva de hemoderivados). A ultrassonografia pode auxiliar, mas não deve atrasar a decisão da cesárea em um quadro clínico evidente de emergência.
Os sinais e sintomas de DPP incluem dor abdominal súbita e intensa (cólicas), sangramento vaginal (geralmente escuro), hipertonia uterina (útero endurecido), instabilidade hemodinâmica materna (hipotensão, taquicardia) e alterações nos batimentos cardíacos fetais (bradicardia, variabilidade reduzida).
A conduta inicial é a estabilização hemodinâmica materna (acesso venoso, fluidos, tipagem sanguínea, coagulograma, reserva de hemoderivados). A conduta definitiva, em casos de sofrimento fetal e/ou instabilidade materna, é a resolução imediata da gestação por via abdominal (parto cesáreo).
Fatores de risco incluem hipertensão arterial (pré-eclâmpsia, hipertensão crônica), trauma abdominal, tabagismo, uso de drogas ilícitas (cocaína), multiparidade, idade materna avançada, histórico prévio de DPP, polidrâmnio e rotura prematura de membranas.
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