CMC - Fundação Centro Médico de Campinas (SP) — Prova 2022
Gestante de 32 semanas, primigesta, com diagnóstico de pré-eclâmpsia, utilizando Anlodipino 10 mg/dia e metildopa 2,0 g/dia, dá entrada na maternidade com queixa de dor importante em abdome de início súbito. Ao exame físico, PA: 90X50 mmHg, pulso: 120 bpm, hipertonia uterina, BCF: 98 bpm, toque: colo impérvio. O diagnóstico mais provável neste caso é:
DPP = dor abdominal súbita + hipertonia uterina + sangramento vaginal + sofrimento fetal.
O quadro clínico de dor abdominal súbita e intensa, hipertonia uterina, sangramento vaginal (embora não descrito explicitamente, é comum e pode ser oculto), hipotensão materna, taquicardia e bradicardia fetal em paciente com pré-eclâmpsia é altamente sugestivo de Descolamento Prematuro de Placenta (DPP). A pré-eclâmpsia é um fator de risco importante para DPP.
O descolamento prematuro de placenta (DPP) é uma emergência obstétrica grave, definida pela separação da placenta da parede uterina antes do nascimento do feto, após a 20ª semana de gestação. É uma das principais causas de hemorragia do terceiro trimestre e está associado a alta morbimortalidade materna e perinatal. A incidência varia, mas é uma condição que exige reconhecimento e intervenção imediatos. A fisiopatologia do DPP envolve a ruptura dos vasos sanguíneos maternos na decídua basal, levando à formação de um hematoma retroplacentário que causa a separação. Fatores de risco incluem hipertensão arterial (crônica ou gestacional, como pré-eclâmpsia), trauma abdominal, tabagismo, uso de cocaína, multiparidade e histórico prévio de DPP. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado na tríade clássica de dor abdominal súbita e intensa, sangramento vaginal (que pode ser oculto) e hipertonia uterina, frequentemente acompanhada de sofrimento fetal. A conduta no DPP é a estabilização hemodinâmica materna e o parto de emergência, geralmente por cesariana, especialmente se houver sofrimento fetal ou instabilidade materna. A monitorização contínua da vitalidade fetal e do estado materno é crucial. Complicações incluem choque hipovolêmico, coagulopatia de consumo (CIVD), insuficiência renal aguda e útero de Couvelaire. O prognóstico depende da extensão do descolamento, da idade gestacional e da rapidez da intervenção.
Os sinais clássicos incluem dor abdominal súbita e intensa, sangramento vaginal escuro (que pode ser oculto), hipertonia uterina (útero "em tábua"), sofrimento fetal (alterações da BCF) e, em casos graves, choque hipovolêmico materno.
A pré-eclâmpsia, devido à disfunção endotelial e alterações vasculares que provoca, aumenta o risco de fragilidade dos vasos placentários e deciduais, predispondo ao descolamento prematuro da placenta. Outros fatores incluem trauma, tabagismo e uso de cocaína.
A conduta imediata é a estabilização materna (hidratação, monitorização), avaliação fetal urgente (monitorização da BCF) e, na maioria dos casos, o parto de emergência, geralmente por cesariana, devido ao risco de sofrimento fetal e hemorragia materna grave.
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